Acidentes ferem 270 crianças por dia

Número se refere a atendimentos hospitalares em todo o País

Fernanda Aranda e Marcela Spinosa, O Estadao de S.Paulo

05 Outubro 2007 | 00h00

Uma simples brincadeira pode causar ferimentos graves e internações. Sem idade suficiente para estimar os riscos, brincar com a caixa de fósforo, a panela no fogo, na laje ou na caixa d''''água faz com que 270 crianças sejam hospitalizadas todos os dias no Brasil, informa pesquisa da ONG Criança Segura. Somente no Estado de São Paulo, 190 crianças são internadas após se machucarem dentro de casa, indicam dados da Secretaria de Estado da Saúde. Na capital, estatística da Promotoria da Infância e Juventude reforça o perigo dos acidentes caseiros: 70 mil crianças estão fora das creches e, muitas vezes, ficam sozinhas por longas horas. ''''Numericamente, o estudo não faz a relação entre a falta de creche e os acidentes. Mas nossas avaliações mostram que o risco aumenta quando a criança não tem acesso à supervisão adequada de um adulto'''', afirma a supervisora da ONG Criança Segura, Cecília Lotufo. ''''A mãe que deixa o filho sozinho em casa pode ser enquadrada como negligente. É preciso saber, porém, quais alternativas ela tinha para evitar a situação.'''' Para Cecília, os dados servem para alertar aos pais e também mobilizar o poder público. ''''O que pode ajudar a reverter os números, por exemplo, ampliando a oferta de vagas na educação infantil.'''' O estudo foi feito com base nos registros do Ministério da Saúde. As quedas, queimaduras, intoxicação, afogamento e sufocação foram responsáveis por 98.310 internações de menores de 14 anos em 2005. Somando os acidentes de trânsito, em que 48% das vítimas são pedestres, os números saltam para 149.904. Segundo o promotor da Infância e Juventude, Motauri Ciocchetti de Souza, este ano a Prefeitura não renovou acordo com o Ministério Público que estabelecia metas de criação de vagas em creches. ''''Entramos com uma ação para a criação de, pelo menos, 14 mil vagas. Além de ficarem mais expostas ao perigo do acidente em casa, o impacto da falta de creche reflete direto no aprendizado. Cria-se uma desigualdade já no início da vida escolar.'''' Pesquisa do Ibmec SP confirma que quem começa a estudar a partir dos 4 anos tem, em média, renda 27% maior do que as pessoas que entraram na escola após os 7 anos, além de maior chance de ingressar no ensino superior. A doutora pela PUC em educação infantil, Marisa Ferreira diz que é preciso critérios para corrigir o déficit de vagas em creches. ''''É necessário construir novas instituições e não superlotar as existentes. Os profissionais selecionados precisam ter formação específica, o que garante a qualidade.'''' A reportagem procurou a Secretaria Municipal de Educação, que não quis se pronunciar, com o argumento de que ''''não há dados oficiais sobre a relação entre falta de creche e acidente doméstico''''.

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