Luciano da Matta/Agência a Tarde
Luciano da Matta/Agência a Tarde

ACM Neto renasce com maior votação

Candidato é reeleito deputado federal pelo DEM e se recupera de derrota para prefeitura

Tiago Décimo, O Estado de S.Paulo

07 Outubro 2010 | 00h00

Pela terceira vez consecutiva, a eleição para deputado federal na Bahia terminou com ACM Neto (DEM) como o candidato mais votado. A quantidade foi menor que a registrada nos pleitos anteriores - 328.450 votos, ante 400.275 em 2002 e 436.966 em 2006 -, mas o deputado volta a mostrar força depois de uma fracassada tentativa de se eleger prefeito de Salvador, em 2008, quando sequer chegou ao segundo turno.

Para reverter o quadro, ACM Neto voltou a dar ênfase, durante a campanha, à figura do avô, o senador Antônio Carlos Magalhães, morto em 2007.

Na eleição para a prefeitura, o líder do antigo PFL (atual DEM) havia sido praticamente omitido da propaganda de Neto, por causa da surpreendente derrota de Paulo Souto (DEM) na disputa pelo governo estadual, em 2006, para Jaques Wagner (PT), que no domingo foi reeleito com 63% dos votos.

Planos. Para a nova legislatura, o deputado tem objetivo definido. "Vou lutar para mais recursos para a segurança", diz, repetindo o principal tema de ataques de seu partido ao primeiro governo do petista Wagner.

Se ACM Neto é "tricampeão" na disputa por votos na Câmara, o segundo deputado federal mais votado no Estado, este ano, é um novato em eleições. Lúcio Vieira Lima, presidente regional do PMDB e irmão mais novo do candidato derrotado de seu partido ao governo, Geddel Vieira Lima, conseguiu reunir a legenda em torno de sua candidatura e, acompanhando o familiar em visitas a municípios do interior, conquistou 221.616 votos. Na eleição, usou o mesmo número com o qual Geddel havia sido eleito, 1518.

Apesar das grandes votações de ACM Neto e Lúcio, os partidos dos parlamentares registraram redução na Câmara: o DEM viu a quantidade de deputados baianos cair de dez para seis, enquanto o PMDB - que na Bahia faz oposição ao PT - só conseguiu eleger dois, ante quatro em 2006. O DEM ainda amargou uma derrota acachapante na disputa pelo governo estadual - Paulo Souto, que chegou em segundo, teve apenas 16% dos votos.

Barrado. O partido do presidenciável José Serra, o PSDB, conseguiu igualar a quantidade de deputados eleitos pela Bahia, dois. O mais "longevo" parlamentar do Estado, porém, não conseguiu uma das vagas. Na Câmara desde 1991, João Almeida, que tentava a quinta reeleição consecutiva, até teve votos suficientes para figurar entre os 20 candidatos mais votados no Estado - com 80.180 votos, ficou na 19.ª posição -, mas foi derrubado pelo coeficiente eleitoral do partido.

Com a estratégia de lançar apenas três candidatos com grande potencial de votação a deputado federal pelo Estado - além de Almeida, o ex-prefeito Antonio Imbassahy e o deputado Jutahy Júnior, respectivamente 12.º e 13.º na apuração -, o PSDB acabou não conseguindo amealhar votos suficientes para eleger todos. "Fui vítima de um sistema, que sempre tentei mudar, no qual o cidadão vota em um candidato, mas esse voto acaba contabilizado para o partido", lamenta Almeida.

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