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Acordo põe fim à greve de PMs na Bahia

Tiago Décimo e Heliana Frazão, especial para o Estado - O Estado de S. Paulo

17 Abril 2014 | 14h 31

Justiça Federal havia determinado fim imediato da paralisação, sob pena de multa diária de R$ 1,4 milhão; governo deu aumento de 6% a policiais

Atualizada às 22h11   SALVADOR -  Durou menos de 48 horas a greve da Polícia Militar da Bahia que provocou saques a lojas e uma onda de violência no Estado. Tropas federais já haviam desembarcado em Salvador quando o governo concordou em dar aos grevistas um aumentou de 6% por meio do reajuste da gratificação de condições especiais de trabalho - o salário-base de um soldado da PM baiana é de R$ 2,3 mil.

Os grevistas conseguiram ainda do governo a reavaliação do plano de cargos e salários, a revisão do Código de Ética da categoria e a retirada de sanções administrativas contra os grevistas. Ainda nesta quinta-feira, 17, a Justiça Federal havia determinado a imediata suspensão do movimento, estipulando multa de R$ 1,4 milhão por dia para as seis associações de policiais do Estado e para seus dirigentes em caso de descumprimento da decisão.

O fim da greve foi decidido em uma assembleia feita à tarde pelos policiais com a presença do arcebispo de Salvador, d. Murilo Krieger. Apesar disso, os 6 mil integrantes das tropas da Força Nacional de Segurança e do Exército enviados para fazer o policiamento das principais cidades baianas durante a greve vão ficar no Estado até o domingo. "Faremos uma avaliação da situação depois do feriado", disse o governador Jaques Wagner (PT).

Segundo a Secretaria da Segurança Pública da Bahia, durante a paralisação foram registrados 39 homicídios na Região Metropolitana de Salvador - entre eles os de dois policiais -, quatro vezes mais do que em dias normais, cuja média é de 9 assassinatos a cada dois dias. O número de roubo de veículos foi multiplicado por dois - de 30 na média de dois dias para 60. Os casos de roubos, arrombamentos e saques a estabelecimentos comerciais também dispararam: em dois dias chegaram a cerca de 60. Segundo a secretaria, 50 pessoas foram presas até a tarde desta quinta.

A solução para greve começou a ser arquitetada na madrugada, quando integrantes do governo prepararam uma proposta para encerrar a mobilização. O documento foi apresentado na manhã em uma reunião que envolveu o comandante-geral da corporação, coronel Alfredo Castro, lideranças grevistas, representantes do governo, da Ordem dos Advogados do Brasil e o arcebispo de Salvador.

Justiça. Enquanto a reunião ocorria, o Tribunal Regional Federal da 1.ª Região, em Brasília, concedia uma liminar pedida pelo Ministério Público Federal, determinando a imediata suspensão da greve e estipulando multa. Anteontem, o Tribunal de Justiça da Bahia também havia julgado a paralisação ilegal e estipulado multa de R$ 50 mil por dia às associações caso a corporação não voltasse ao trabalho.

O encontro entre grevistas e governo foi concluído com uma oração do arcebispo. Krieger ainda seguiu para o local onde os PMs estavam acampados desde a terça-feira, um antigo parque aquático transformado em área de shows, e fez ali mais uma oração. Ficou até que a decisão fosse tomada.

Líder do movimento, o ex-PM, hoje vereador de Salvador pelo PSDB, Marco Prisco leu a proposta do governo. Ao fim, antes de abrir a votação, instruiu os grevistas. "O acordo é bom para a associação", disse. A volta da categoria aos trabalhos foi aprovada por aclamação, aos gritos de "a PM voltou" por parte dos cerca de 2 mil policiais que participaram da assembleia. Segundo os grevistas, o retorno dos policiais às atividades é imediato.