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Acusado de matar o cartunista Glauco é preso em Goiás

Marília Assunção - Especial para O Estado

01 Setembro 2014 | 15h 50

Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, de 29 anos, tentava fugir de uma abordagem policial na capital do Estado

Divulgação/Polícia Militar
Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, de 29 anos, acusado de matar o cartunista Glauco

Atualizada às 21h12

GOIÂNIA - Acusado em 2010 pelo assassinato do cartunista Glauco Vilas Boas e de seu filho, considerado inimputável e libertado de uma clínica psiquiátrica há um ano, Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, o Cadu, de 29 anos, foi preso novamente nesta segunda-feira, 1º, por uma morte. Ele acabou detido após perseguição policial, dirigindo um carro de luxo, roubado de um jovem de 21 anos executado na noite do último domingo. É suspeito ainda de uma tentativa de latrocínio na quinta-feira.

Às 21 horas de domingo, o estudante Mateus Morais Pinheiro deixava a namorada em casa, no Setor Bueno - um dos mais populosos da cidade, com grande concentração comercial e de colégios -, quando foi abordado por dois assaltantes. Um deles, visivelmente nervoso segundo testemunhas, apontou uma arma cromada contra o rapaz. Ainda não se sabe se Pinheiro tentou reagir ou fez um movimento, mas o criminoso disparou no peito do estudante. Na sequência, levou o carro, um Honda Civic branco, deixando a vítima morta na calçada.

O caso foi atendido pelo delegado adjunto Thiago Damaceno Ribeiro, da Delegacia Especializada em Investigações de Homicídios. Nesta segunda, às 12 horas, quando seguia em um veículo descaracterizado, o delegado se deparou com o Honda Civic, com a mesma placa do carro roubado no domingo, e percebeu que o condutor dirigia em alta velocidade, acompanhado de perto de um Honda Fit. 

Ribeiro ainda se lembrou que, na quinta-feira, quase houve outro latrocínio (roubo seguido de morte) no Setor Bueno, envolvendo um Honda Fit, que teria facilitado a fuga dos envolvidos. No caso, a vítima foi o agente prisional Marcos Vinícius Lemes, de 45 anos, que continua internado em estado grave.

Enquanto ainda estudava a abordagem, ele notou um veículo da Guarda Municipal e pediu auxílio para deter os suspeitos em um engarrafamento. Quando policiais mandaram os motoristas descerem, o condutor do Civic, que era Cadu, agiu com frieza e apontou uma arma.

Nesse momento, os guardas relataram que teve início um tiroteio. “Ele (Cadu) deu ré violentamente e escapou dirigindo sobre a calçada, mas o outro homem desceu do Fit, se entregou e disse que estava ajudando a puxar (roubar) uns carros”, afirmou Ribeiro. O outro preso foi identificado como Ricardo Pimenta Andrade, de 23 anos, que responde por tráfico em Minas.

Na sequência, a Polícia Militar foi acionada e algumas quadras depois se deparou com o Civic batido em um muro. Cadu fugia a pé, quando foi detido pelos soldados. Ele ainda portava a arma cromada. 

Após ser preso, o rapaz teria admitido que sabia que o carro era roubado, mas negado participação na morte ou na tentativa de latrocínio de quinta. “Na terça, teremos condições de dizer em quais crimes está envolvido”, observou o delegado.

Glauco. Em 2010, Cadu confessou o assassinato do cartunista Glauco Vilas Boas e do filho dele, Raoni Vilas Boas, e foi considerado inimputável porque houve diagnóstico de esquizofrenia paranoide. Ele matou os dois a tiros, durante um surto psicótico, após consumir maconha, haxixe e uma mistura de ervas fornecida pela igreja Céu de Maria, fundada pelo cartunista, que seguia a doutrina do Santo Daime e oferecia aos praticantes um chá alucinógeno típico.

Cadu teve alta do hospital porque, diagnosticado como doente mental, ele já havia cumprido os prazos legalmente previstos no Código Penal nesses casos. Na época, a juíza Telma Aparecida disse que levou em consideração os relatórios psiquiátricos que assinalavam que a periculosidade da esquizofrenia sofrida por Cadu estava sob controle e ele não oferecia ameaça. Também pesou uma avaliação pela junta médica do Tribunal de Justiça, ocorrida em junho do ano passado.

A Assessoria do Tribunal de Justiça informou que a juíza Telma Aparecida só se manifestaria por meio de nota oficial, o que não ocorreu até 18h20.