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Acusado por morte de cinegrafista cita partidos; lista na web expõe doadores

Fabio Grellet e Marcelo Gomes - O Estado de S. Paulo

13 Fevereiro 2014 | 22h 41

Suspeito disse acreditar que políticos pagam manifestantes e fala de documento que apareceu na internet, ligando militante a 11 pessoas, incluindo dois vereadores, um delegado e um juiz

O auxiliar de limpeza Caio Silva de Souza, de 22 anos, preso pela morte do cinegrafista Santiago Andrade, afirmou em depoimento formal à polícia que já foi convidado a participar de protestos “de forma remunerada” e que “existem financiadores” das manifestações. Embora não acuse formalmente ninguém, disse acreditar "que os partidos que levam bandeiras (aos atos) são os mesmos que pagam os manifestantes" e citou PSOL, PSTU, a Frente Independente Popular (FIP) e a ativista Elisa Quadros, a Sininho.

Sobre Sininho, Caio disse ter visto "um papel onde a contabilidade do dinheiro distribuído era feita", que "apareceu no Facebook". O papel a que se refere é uma planilha de prestação de contas que relaciona Sininho a 11 pessoas, incluindo dois vereadores, um delegado e um juiz.

A lista elenca doadores que contribuíram para o "Mais Amor, Menos Capital", evento cultural promovido em 23 de dezembro pelo grupo Ocupa Câmara, para o qual ela pediu doações. Durante o ato não houve confronto nem vandalismo. A doação foi totalmente legal.

Segundo a planilha, o grupo arrecadou R$ 1.690 de 11 doadores, entre eles os vereadores do PSOL Renato Cinco, que doou R$ 300, e Jefferson Moura, que doou R$ 400, além do delegado Orlando Zaccone, que contribuiu com R$ 200. Um juiz identificado como Damaceno teria doado R$ 100.

Em um dos convites, o Ocupa Câmara anuncia que iria "comemorar o fim de ano com debates, apresentações artísticas e solidariedade para os sem-teto e vítimas das enchentes". A programação incluiu oficinas, debates e um ato ecumênico, além de shows musicais.

Os vereadores e o delegado confirmam as doações - no caso de Jefferson Moura, que estava em viagem, a iniciativa partiu de funcionários de seu gabinete. Todos ressaltam, porém, que nunca contribuíram para qualquer ato de grupos violentos, mas para um evento pacífico, em que não houve qualquer ocorrência policial.