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Adolescente que sofreu agressão no Rio não reconhece grupo de jovens detidos

Vítima afirmou que já viu alguns de seus agressores fazendo exercícios em academia de musculação ao ar livre

RIO - O adolescente torturado e preso pelo pescoço a um poste no Aterro do Flamengo na última sexta-feira, 31, não reconheceu nenhum dos 14 jovens detidos como seus agressores. Durante depoimento à delegada Monique Vidal, da 9ª DP (Catete), no início da noite desta quarta-feira, 5, foram mostradas as fotos de jovens presos sob acusação de agredir dois rapazes no Aterro.

Apesar de não reconhecer as fotografias, a vítima afirmou que já viu alguns de seus agressores fazendo exercícios em uma academia de musculação ao ar livre na mesma região.

O adolescente stava desde o dia 25 de janeiro em um abrigo da prefeitura, no centro do Rio. Ele já conhecia a diretora da unidade e aguardou ela voltar de férias nesta quarta-feira, 5, para narrar as agressões que sofreu. Após conversar com a diretora, o adolescente prestou depoimento à Polícia Civil e será conduzido a um abrigo.

Caso. De acordo com relato do adolescente, ele e três amigos seguiam para a Praia de Copacabana, pela Avenida Rui Barbosa, na sexta-feira, 31, à noite, quando foram abordados por cerca de 30 pessoas em 15 motos. Os quatro tentaram fugir, mas ele e outro menino pararam ao ver um dos homens armados com uma pistola 9 mm e foram capturados. Segundo o relato, os dois apanharam e o amigo conseguiu fugir. O adolescente foi, então, preso ao poste. Os agressores escaparam.

'Justiceiros'. O morador do Flamengo, de 22 anos, que admitiu em depoimento "patrulhar o Aterro em busca de autores de delitos", publicou no Twitter, em 9 de janeiro, o "novo esporte" que tinha começado a praticar com os amigos: "caçar vagabundo roubando para meter a porrada". Na rede social, Lucas Correia Pinto Felício afirmou que estava com "vontade de comprar uma arma e dar tic tac nesses vagabundos todos".

Em seu perfil no Twitter, Felício também publicou a seguinte mensagem: "Vou caçar mais de um milhão de vagabundo (sic) por aí, eu só quero bater em você e quando acordar vou te matar rs". Nenhum dos 220 seguidores de Felício comentou ou replicou as postagens. A última mensagem do perfil é de 14 de janeiro. Ele é um dos dois detidos na segunda sob acusação de tentar agredir dois jovens. Em depoimento à polícia, os detidos confirmaram ter marcado um encontro pelo Facebook para fazer a "patrulha". Procurado pela reportagem, ele não foi localizado.