1. Usuário
Assine o Estadão
assine

Advogado admite que os rapazes agiram juntos

Luciana Nunes Leal - O Estado de S. Paulo

13 Fevereiro 2014 | 22h 46

Advogado Jonas Tadeu Nunes anunciou que continua no caso e vai esperar o inquérito chegar ao Ministério Público Estadual (MPE) para tomar novas providências

Depois de dizer que abandonaria a defesa dos dois manifestantes investigados pela morte do cinegrafista Santiago Andrade se constatasse que havia conflito nos depoimentos dos jovens, o advogado Jonas Tadeu Nunes anunciou nesta quinta-feira, 13, à noite que continua no caso e vai esperar o inquérito chegar ao Ministério Público Estadual (MPE) para tomar novas providências. "A princípio, não há colisão (nas versões de Caio Silva de Souza e Fabio Raposo)", disse Nunes.

O advogado sustenta a tese de que Souza e Raposo agiram juntos e, portanto, devem responder juntos à ação, com a mesma defesa. Souza, porém, acusou Raposo de ter acendido o rojão que matou Andrade. Nesta quinta-feira pela manhã, Nunes disse ter sido surpreendido pelo depoimento de Souza, na noite de quarta. Ele vai pedir à Justiça habeas corpus do cliente, por ele ter falado à polícia sem a presença do advogado.

"No momento que nascer um conflito entre um e outro, em que um diz ‘não fui eu, foi ele’, atrapalha a defesa. Se eles permanecerem juntos, nós temos elementos para desclassificar o que a autoridade policial quer colocar como homicídio qualificado", disse Nunes pela manhã. Depois, afirmou não ver conflito no depoimento de Souza. Nunes voltou a acusar partidos políticos e organizações de aliciar jovens e pagar para que causem tumulto.

"Souza vive em extrema pobreza. Começou a participar das manifestações por ideologia, de forma pacífica, sem quebra-quebra. Quando soube que poderia participar mediante remuneração, aí ele se deixou levar", disse Nunes. "Quando foi preso, ele disse: ‘E agora, doutor, quem vai cuidar da minha mãe? Não vou ter como dar a cesta básica. É que eu ganho dinheiro da manifestação, recebo R$ 150’."

Segundo o advogado, Souza contou que "chegava em determinado local onde ia ter início a manifestação e já tinha uma Kombi parada que ia entregando máscaras e tal e, algumas vezes, quando (os manifestantes) não tinham dinheiro, propiciava o dinheiro para o transporte". "O manifestante só ganhava se houvesse quebra-quebra."

"Souza é um menino calmo, quando está nas manifestações se transforma, parece que recebe uma entidade, fica completamente diferente", alegou Nunes. O advogado disse ter tido contato com Souza antes de o rapaz embarcar para o Ceará, no dia 10, e ele tinha prometido se entregar à polícia, no restaurante Amarelinho da Glória, zona sul do Rio, no dia 11. Na data marcada, porém, apareceu apenas o pai de Souza, dizendo que o filho estava assustado e tinha saído da cidade.

Nunes disse que começou, então, com a ajuda da namorada de Souza, a tentar convencer o rapaz a interromper a viagem ao Ceará e a saltar do ônibus em Feira de Santana, na Bahia.