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Advogado afirma que jovens pobres recebem R$ 150 por manifestação

Marcelo Gomes e Luciana Nunes Leal - O Estado de S. Paulo

12 Fevereiro 2014 | 15h 56

Jonas Tadeu Nunes não especificou quem faz os pagamentos, mas acusou partidos políticos de envolvimento

Atualizada às 20h05

RIO - O advogado Jonas Tadeu Nunes, que defende Caio Silva de Souza, preso na madrugada desta quarta-feira, em Feira de Santana (BA), pela morte do cinegrafista Santiago Andrade, acusou partidos políticos e movimentos sociais de aliciarem e pagarem a jovens pobres da periferia para participarem de protestos e promoverem atos de violência e “terrorismo social”.

Defensor também do tatuador Fábio Raposo, que ajudou a acender o rojão que atingiu o cinegrafista da TV Bandeirantes, Nunes disse que ouviu de outros “três ou quatro” manifestantes o mesmo relato “categórico” sobre recrutamento de manifestantes para provocar tumulto e atos de vandalismo. Com o argumento de que deve manter o sigilo profissional, o advogado não revelou os nomes de partidos e movimentos que, além de pagarem, distribuiriam “máscaras e fogos de artifício” aos manifestantes.

“O Caio é um jovem miserável, muito pobre. Esses jovens são aliciados por grupos, recebem ajuda financeira, uma espécie de mesada para participarem dessas manifestações, nesse sentido de terrorismo social”, disse Nunes em entrevista à Rádio Jovem Pan na manhã de quarta-feira, 12. À TV Globo News, o advogado afirmou que Caio recebia “R$ 150 por manifestação”. “Esse menino foi convocado, aliciado (...) Não estou eximindo ele de responsabilidade, mas esses jovens foram municiados para causar essa fatalidade”, afirmou.

À TV Globo, Caio de Souza disse que “alguns (manifestantes) são convocados, sim, outros não” e que não sabia quem os convocava. “A polícia tem de investigar”, respondeu.

Questionado pela Jovem Pan sobre quem seriam os aliciadores dos jovens, Jonas Tadeu Nunes respondeu: “Vocês deveriam investigar vereadores em Câmaras Municipais, deputados estaduais em Assembleias Legislativas (...), a imprensa, a Polícia Federal deveria investigar diretórios regionais de partidos, movimentos sociais que fomentam financeiramente essas manifestações nas principais capitais, Rio de Janeiro, São Paulo”. Apuração. A assessoria de imprensa da Polícia Civil disse que o advogado não fez menção ao aliciamento de jovens ao longo das investigações da morte do cinegrafista.

O chefe de Polícia Civil, Fernando Veloso, informou que existem inquéritos, abertos desde o ano passado, para apurar aliciamento de pessoas que participam das manifestações por grupos políticos. “A mera análise das imagens (das manifestações) nos induz a concluir que muitas dessas pessoas (...) não parecem fazer o que querem. Essas pessoas não agem soltas, sozinhas. Pode haver algumas pessoas que agem isoladas. Mas há outras que agem com determinado interesse”, afirmou Veloso. Segundo ele, a polícia investiga a quem interessa gerar violência nos protestos. “Tudo isso será investigado: se há cumplicidade com políticos, qual o papel de cada um, a quem isso interessa e se há aliciamento de manifestantes.”

O delegado Mauricio Luciano de Almeida, da 17.ª DP (São Cristóvão), disse que ainda não se pode afirmar que Raposo e Caio são black blocs. “Eles têm uma sintonia com os black blocs. Rezam da mesma cartilha. Têm prática, modo de agir que se assemelha. Mas não podemos afirmar que os dois sejam black blocs.”

Ligações. O governador Sérgio Cabral (PMDB) também ligou os tumultos nos protestos a partidos políticos e outras organizações. Cabral afirmou que os dois jovens responsáveis pela morte de Santiago fazem parte de “um contexto maior”. “Há grupos, segmentos de partidos políticos que têm desprezo pelo processo democrático, pelas instituições e isso é muito grave. Há partidos políticos, há organizações embutidos nessas ações (...) Esses dois jovens estão inseridos nesse contexto maior, são ações que se complementam (...) A dimensão mais grave de todas é que envolve a perda de uma vida”, disse Cabral.

O governador recebeu a família do cinegrafista na tarde de quarta-feira. “Aquilo me comoveu muito (...) Esses dois jovens fazem parte de uma concepção de desprezo do institucional, do legal, do democrático, de desrespeito à polícia, a bancos, à imprensa. Coragem não é jogar um rojão e se esconder, é ir para o debate”, disse o governador, depois de participar de uma solenidade no Palácio Guanabara.  

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