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Advogado de suspeita diz que morte de Bernardo pode ter sido acidental

Elder Ogliari - O Estado de S. Paulo

28 Abril 2014 | 20h 30

Segundo nova versão apresentada pelo defensor da amiga da madrasta, o menino teria sido vítima de aplicação indevida de dose de medicamentos para dormir

PORTO ALEGRE - O menino Bernardo Uglione Boldrini, de 11 anos, pode ter sido vítima de aplicação indevida de uma dose excessiva de medicamentos para dormir, segundo nova versão divulgada nesta segunda-feira, 28, pelo advogado da assistente social Edelvânia Wirganovicz, uma das três pessoas presas por suspeita de participação no crime. "É possível que tenha sido acidental", afirmou Demetryus Eugênio Grapiglia. "E é a versão que ouvi de minha cliente, que não participou do evento morte", reiterou, confirmando apenas que ela ajudou a ocultar o cadáver porque teria sofrido pressão psicológica da madrasta, a enfermeira Graciele Ugulini.

Sem entrar em detalhes, Grapiglia admite que Edelvânia conduzia o automóvel, mas não viu Graciele dar remédios para o menino dormir, levantando a hipótese de que a madrasta possa ter se enganado na dosagem. O advogado relata, ainda, que em determinado momento sua cliente percebeu que o menino não se movimentava mais. A nova versão nega a tese de aplicação de uma injeção letal, investigada pela polícia, e, ao abrir a hipótese de um erro na quantidade de medicamentos para dormir, atenua também a suspeita que recai sobre a madrasta, de crime premeditado.

Caso. As informações já divulgadas pela polícia indicam que Graciele viajou de Três Passos para Frederico Westphalen com o garoto no dia 4 de abril. Na cidade vizinha, procurou Edelvânia. Câmeras de vigilância captaram imagens das duas saindo com o garoto e voltando sem ele. Em depoimento, a assistente social teria confessado participação e indicou o local onde o corpo foi escondido.

No dia 14, a polícia encontrou os restos mortais enterrados em um matagal, em Frederico Westphalen, e prendeu Graciele, Edelvânia e o pai de Bernardo, o médico Leandro Boldrini. A delegada Caroline Bamberg Machado assegura que os três estão envolvidos com o crime, faltando esclarecer qual foi a participação de cada um no plano e na execução.

Depoimento. Desde que assumiu a defesa de Edelvânia, na semana passada, Grapiglia sustenta que o depoimento que ela deu à polícia no início de abril não tem validade porque foi prestado sem a presença de um advogado.

Em outra frente do mesmo caso, o advogado Vanderlei Pompeo de Mattos, representante de Graciele, vem repetindo que orientou sua cliente a falar sobre o crime, confirmando ou negando participação em alguma etapa ou em todos os episódios rastreados pela polícia. "Ela se surpreendeu quando eu informei que o Leandro está preso", revela, referindo-se a uma conversa que teve com a enfermeira no presídio. O advogado de Leandro, Jáder Marques, sustenta que o médico é inocente.