Advogado do pai de Sean desmente que avô foi impedido de ver garoto

Família brasileira alega que foi proibida de visitá-lo e que ele estaria com obesidade mórbida devido ao estado depressivo

Pedro Dantas, O Estado de S. Paulo

24 Março 2011 | 18h24

RIO - Os advogados do americano David Goldman no Brasil desmentiram a versão do advogado Sérgio Tostes, representante de Silvana Bianchi, avó brasileira do menino Sean Goldman, de 11 anos. A família brasileira alega que foi proibida de visitar a criança e disse que ele estaria com obesidade mórbida devido ao estado depressivo. Os advogados afirmaram as declarações "não correspondem à realidade e dificultam ainda mais o encontro de um entendimento entre duas famílias cujo relacionamento é já tão desgastado."

 

Em nota, os advogados disseram que Goldman permitiu a visita quando informado que o avô do menino, Raimundo Carneiro Ribeiro Filho, estava doente e a família brasileira requisitou o encontro por razões humanitárias. No entanto, o representante da família brasileira não agendou o encontro e entrou com um novo pedido de visitação forçada na Justiça americana. O americano queria que o encontro ocorresse em um país próximo ao Brasil e não fosse divulgado à imprensa. Além disso, ele exigia o fim dos processos judiciais para a volta do menino na Justiça brasileira. O avô do menino morreu na semana passada.

 

Goldman afirmou à Justiça americana que permitiu o contato por e-mail entre Sean e os parentes brasileiros, mas que estes fizeram um e-mail alternativo para escrever ao menino, que avisou ao pai. Segundo o americano, no telefonema do Natal de 2010, a avó repetidamente disse que estava lutando na Justiça para trazer o menino. Goldman apresentou o parecer de um psicólogo que expressa "preocupações significativas" com o envolvimento de Sean na batalha judicial.

 

O advogado da família brasileira, Sérgio Tostes, informou que divulgará hoje uma nota com as respostas às afirmações do pai de Sean, mas adiantou que a obesidade do menino foi relatada por vizinhos e "pessoas que o viram recentemente".

"A única forma que eles (os advogados de David Goldman) têm de desmentir essa afirmação é apresentar Sean a seus parentes - o que eles não têm feito. Fora isso, é só jogo de palavras", afirmou Tostes.

 

Nascido em 2000, Sean Goldman foi trazido pela mãe Bruna Bianchi ao Brasil quatro anos depois para uma visita de duas semanas. No entanto, ao chegar ao país, ela pediu o divórcio a David Goldman por telefone e exigiu a guarda definitiva da criança. O americano negou e iniciou a luta para rever o filho e acusar Bruna por abdução internacional de menor, com base na Convenção de Haia, do qual Brasil e Estados Unidos são signatários.

 

Bruna se casou com o advogado João Paulo Lins e Silva. Em agosto de 2008, ela morreu após o parto da primeira filha do casal. De uma tradicional família de advogados, Lins e Silva obteve a guarda de Sean, e o caso explodiu na imprensa americana e brasileira. Após o caso envolver até ameaças de represálias tarifárias do Senado americano, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a entrega imediata de Sean ao pai, em dezembro de 2009.

 

Texto atualizado às 19h40.

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