Advogado pedia indenização sem ser contratado

Sem a família de Nayara saber, ele chegou a entrar com ação de R$ 2 mi

Diego Zanchetta, O Estadao de S.Paulo

23 Outubro 2008 | 00h00

Angelo Carbone Sobrinho se apresentou ontem como advogado de Nayara. E como tal entrou com ação indenizatória de R$ 2 milhões contra o Estado. O dinheiro seria para pagar as despesas do tratamento médico da adolescente e danos morais causados pela "falta de preparo" da PM, durante as 100 horas de seqüestro, que acabou tragicamente com a morte de Eloá. Tudo parecia acertado, até a mãe de Nayara, Andréia Rodrigues Araújo, negar a contratação de Sobrinho. "Ele foi sugerido por um produtor da Record, mas nunca chegamos a entrar em acordo", disse ela, assim que a filha encerrou o depoimento à polícia no hospital. Procurada, a emissora nega a informação, por meio de seu assessor de Imprensa. Às três horas da tarde, Sobrinho organizou uma entrevista coletiva no Centro Hospitalar Municipal de Santo André e se apresentou como porta-voz da família. Tinha até dois assessores, que ajudaram a organizar as entrevistas. Foi além: acompanhou o depoimento da menina. Com a ação indenizatória nas mãos, criticava a polícia. "É uma menina de 15 anos. O governo do Estado não zelou pela integridade dela. A polícia nem sequer sabia onde o bandido estava dormindo e houve uma série de falhas em toda a operação", criticou o advogado, em entrevista ao Estado. O advogado alega, an ação, que a garota perderá dias de aula, deixará de sair para atividades de lazer com as amigas e não poderá praticar esporte. Sobrinho também ressalta o fato de que Nayara terá de ser submetida a uma nova cirurgia de correção estética daqui a três meses. "Pelo menos nos próximos cinco anos, ela vai precisar de atendimento médico e de psicólogos. Se for ver, R$ 2 milhões é pouco", argumenta. Os pais não sabem se Nayara voltará às aulas neste ano. Na operação de resgate das reféns, a menina foi baleada por Lindemberg Alves. Ela levou um tiro no rosto, que perfurou a asa da narina direita e se alojou na arcada dentária, na altura do canino esquerdo, que caiu. A bala abalou a sustentação do nariz e dos dentes. Sobrinho pediu ao Ministério Público para atuar como assistente de acusação. Mas logo depois que a mãe da menina desmentiu seu poder de representante, Sobrinho desapareceu de cena.

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