Andre Dusek/AE
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Aécio se consagra com vitória tripla

Tucano consegue não só fazer seu sucessor como ajuda Itamar Franco a conquistar a segunda vaga para o Senado

Christiane Samarco, Eduardo Kattah e Marcelo Portela, O Estado de S.Paulo

04 Outubro 2010 | 00h00

O ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves (PSDB) conquistou uma vitória tripla nas eleições: foi o mais votado para o Senado no Estado; elegeu o seu vice, Antonio Anastasia; e apoiou Itamar Franco (PPS), que conseguiu a segunda vaga de senador. À noite, foi lançado por Anastasia para 2014: "Ele será um grande presidente, tem os requisitos de um estadista: liderança política, carisma, preocupação social e responsabilidade gerencial."

 

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Anastasia, de 49 anos, venceu a disputa contra o ex-ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB) e praticamente dizimou a cúpula do PT mineiro que disputou as eleições, além de impôs uma derrota pessoal ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Já Aécio chega ao Senado como força hegemônica no segundo maior colégio eleitoral do País e maior estrela da oposição no Congresso. O resultado expressivo, porém, não pode ser comemorado em razão da morte do pai do ex-governador. No dia em que o filho foi eleito senador, Aécio Ferreira da Cunha, de 83 anos, faleceu em Belo Horizonte, em decorrência de insuficiência hepática (mais informações nesta página).

Diante do resultado em Minas, restou ao presidente Lula comemorar a vitória de sua candidata a presidente Dilma Rousseff, que teve o dobro de votos do tucano José Serra no Estado.

Derrota. Ao se eleger senador, Itamar derrotou a mais jovem e promissora liderança petista no Estado - o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, que disputava a segunda vaga ao Senado. Também fica sem mandato o primeiro suplente Virgílio Guimarães, que foi o deputado mais votado da bancada federal do PT em 2006.

Foi Lula quem patrocinou o acordo entre o PMDB e o PT de Minas para assegurar a aliança nacional entre os dois partidos e, assim, facilitar a eleição de Dilma. Em sua derrota, Hélio Costa arrastou também o ex-ministro do Bolsa Família, Patrus Ananias (PT), que, a pedido de Lula, assumira o posto de vice- governador na chapa peemedebista.

A derrota do time de Lula não surpreendeu petistas nem peemedebistas mineiros. Quando votou ontem de manhã, acompanhado de Patrus Ananias e Pimentel, Costa mal conseguia disfarçar o desânimo com a derrota iminente - a terceira na disputa pelo governo mineiro, que também perdeu em 1990 e 1994.

Tampouco escondeu o descontentamento com o apoio parcial dos petistas. Embora tenha afirmado que confiava na ocorrência do segundo turno, fez questão de agradecer ao companheiro" Patrus. Não citou Pimentel, que segundo o grupo próximo de Costa, entrou tarde demais na campanha e não se empenhou porque não se conformava de não ser ele o candidato.

"Dimensão pedagógica." O ex-ministro petista, por sua vez, demonstrou resignação com o revés e ressaltou a "dimensão pedagógica" da campanha. "Levamos nossa contribuição para elevar o nível político, consciência política e cidadania do povo de Minas Gerais." Apesar da derrota tripla, o PT mineiro não se queixou de Lula. Pimentel avaliou nos bastidores que o presidente fez o que precisava para minimizar o risco da eleição nacional.

"O preço pago pelo PT de Minas não foi alto nem baixo: foi o necessário. Dilma precisava da aliança com o PMDB a qualquer custo", disse Pimentel a um interlocutor. Um de seus aliados lembrou que, na hora em que o petista abriu mão da candidatura ao governo e aceitou disputar o Senado, era "voz corrente no Estado" que ele seria um candidato mais competitivo do que Costa para enfrentar Aécio e Anastasia. "Paciência", devolveu Pimentel. "Fizemos uma boa campanha e demos vitória a Dilma."

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