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Agentes de segurança do Rio concluem treinamento com FBI para a Copa na 6ª

Roberta Pennafort - O Estado de S. Paulo

15 Maio 2014 | 17h 26

Treino discute táticas de abordagem a protestos, controle de multidões e até de relacionamento com a imprensa; mais de 30 cursos do tipo foram realizados nos últimos três anos

Rio - Quarenta e cinco agentes de segurança do Rio, policiais civis, militares, guardas municipais e também bombeiros, concluem nesta sexta-feira, 16, um curso de controle de distúrbios civis trazido pelo FBI, a polícia federal norte-americana, e os departamentos de polícia das cidades de Los Angeles e Chicago, com vistas à Copa do Mundo e aos Jogos Olímpicos, em 2016. Nos últimos três anos, mais de 30 cursos vêm sendo ministrados no Brasil por especialistas dos Estados Unidos com o objetivo de aprimorar as técnicas usadas por aqui.

Dessa vez, os agentes, treinados desde segunda-feira, 12, trocaram experiências sobre a abordagem a manifestantes, controle de multidões, planejamento operacional, tomada de decisões, uso de inteligência e até de relacionamento com a imprensa. Há diferenças grandes em termos de legislação. "Nos Estados Unidos, se um indivíduo joga um coquetel molotov no policial, ele pode revidar atirando para matar. Aqui, se emprega o uso proporcional da força", explicou o major Leonarder Santana, subcomandante do Batalhão de Choque. "No caso de necessidade de imobilização, atira-se na perna".

Mais cedo, foi realizada no batalhão uma simulação com um pequeno grupo de PMs da unidade para apresentação do treinamento à imprensa brasileira e estrangeira - mais de dez jornalistas que fazem a cobertura pré-Copa de países como Inglaterra, Espanha, Alemanha e Japão compareceram.

Como o contingente do Choque se preparava para acompanhar a manifestação contra a Copa que se armava perto dali, na Avenida Presidente Vargas, reuniram-se improvisadamente 20 PMs para reproduzir, de modo teatralizado, o que acontece num protesto: um deles representava um manifestante que jogava uma blusa e um par de tênis contra a barreira de PMs, munida de escudos. Os PMs responderam ao "ataque" com o lançamento de bombas de efeito moral.

Um jornalista alemão se surpreendeu com a reação na simulação e perguntou à subsecretária de Educação, Valorização e Prevenção da Secretaria de Segurança, Juliana Barroso, se a conduta da PM na Copa seria daquela forma. A pergunta acabou sem resposta, pois a assessoria de imprensa da secretaria interveio e a cortou.

O comandante do Batalhão de Choque, coronel André Vidal, que deu entrevista em seguida, disse que a atuação durante a Copa não será diferente da de praxe. "Quem descumprir a lei vai ser preso, independentemente de ser na Copa. Nosso povo é ordeiro; quem pratica esses atos são exceções".

Os policiais norte-americanos se recusaram a dar entrevista sobre o intercâmbio - explicaram que informações só podem ser passadas pela embaixada dos EUA.