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Agentes fazem protesto em Cascavel e temem novas rebeliões

Miguel Portela, especial para O Estado - O Estado de S. Paulo

27 Agosto 2014 | 19h 36

Para presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná, a rebelião no presídio de Cascavel poderia ter sido evitada

CASCAVEL - Agentes penitenciários fizeram na manhã desta quarta-feira uma manifestação no centro de Cascavel, no Oeste do Paraná, pedindo contratação de funcionários e investimentos no sistema carcerário paranaense. O ato ocorre um dia depois da violenta rebelião na PEC (Penitenciária Estadual de Cascavel), que resultou na morte de cinco detentos, sete desaparecidos e 25 feridos. Os agentes penitenciários encontraram na terça um dos desaparecidos em meio aos escombros de uma das galerias. Ainda continuam desaparecidos, segundo o Depen (Departamento Penitenciário Estadual), três pessoas.

Aproximadamente 150 agentes de várias regiões do Paraná se concentraram na Praça do Imigrante, com faixas e cartazes, para expor o medo e a insegurança que vivem. De lá, eles seguiram em passeata pela Avenida Brasil até a Câmara de Vereadores de Cascavel.

Motim em Cascavel
CGN - Central Gazeta de Notícias/Divulgação

Ao menos quatro detentos foram mortos - dois decapitados - durante rebelião neste domingo, 24, na PEC (Penitenciária Estadual de Cascavel), no oeste do Paraná. De acordo com a Polícia Militar, há vários presos feridos e dois agentes penitenciários foram feitos reféns.

Para o presidente do Sindarspen (Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná), Anthony Johnson, a rebelião no presídio de Cascavel poderia ter sido evitada se a Secretaria Estadual de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos ouvisse as denúncias da precariedade do sistema penitenciário.

"Há muito tempo o Sindicato tem denunciado a falta de funcionários e de estrutura básica nas unidades. O que queremos é a contratação de pessoal e investimento para melhorar tudo isso", afirmou Anthony. Segundo ele, os agentes trabalham com insegurança e muito medo.

Ele não descarta novas rebeliões nos presídios que receberam os presos  transferidos da PEC, que teve 90% do prédio comprometido durante o motim. "Essas penitenciarias já estão superlotadas e essas transferências vão agravar ainda mais esse problema".

O presidente do sindicato não descarta uma greve geral caso o governo não sinalizar em melhorias no sistema carcerário. Nos próximos dias, o sindicato deve realizar uma assembleia em Curitiba para discutir o assunto. Sobre os danos provocados na unidade, as autoridades estaduais não encerraram a "varredura" e nem contabilizaram os prejuízos causados pelos rebelados.

Identificação dos corpos. Nesta quarta, familiares identificaram os corpos de Sérgio Humberto de Melo, 35 anos, e Juareci Gromowski, 40 anos, mortos durante a rebelião na Penitenciária Estadual de Cascavel. Sérgio foi um dos detentos decapitados durante o motim. Ele era pai de dois filhos. O caixão com o corpo foi levado até o aeroporto de Foz do Iguaçu e de lá seguiu a cidade de Pocinhos, na Paraíba, onde residem familiares da vítima.

A outra vítima também foi decapitada. Gromowski foi preso no início do ano com um carro roubado e era suspeito de integrar uma quadrilha que fazia assaltos a sacoleiros que fazem compras no Paraguai. O corpo foi levado para sepultamento em Capitão Leônidas da Marques (PR).

Um corpo e restos mortais de outras duas pessoas continuam no IML (Instituto Médico Legal) de Cascavel, mas sem identificação. 

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