BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
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Agentes penitenciários fazem operação padrão em Pernambuco

Estado vive crise que levou o governador Paulo Câmara (PSB) a decretar estado de emergência no sistema penitenciário por 180 dias

Angela Lacerda, O Estado de S. Paulo

30 Janeiro 2015 | 10h55

RECIFE - Os agentes penitenciários de Pernambuco iniciam operação padrão, neste sábado, 31, e domingo, 1 de fevereiro, e fazem paralisação de advertência no próximo fim de semana como forma de pressionar o governo do Estado a atender reivindicações salariais e de condições de trabalho. A decisão do Sindicato dos Agentes e Servidores no Sistema Penitenciário de Pernambuco (Sindasp-PE), foi tomada em assembleia na noite desta quinta-feira, 29, em meio a uma crise que levou o governador Paulo Câmara (PSB) a decretar estado de emergência no sistema penitenciário por 180 dias.

De acordo com o presidente do Sindasp-PE, Nivaldo de Oliveira Júnior, a categoria quer reajuste da gratificação de risco - de  100% sobre o salário base de R$ 1,4 mil - para 225%, equipamento de segurança pessoal  e contratação de mais efetivo. O sindicalista frisa que Pernambuco tem hoje 1,3 mil agentes, o que dividido em quatro plantões, resulta em 325 agentes por dia para guardar o total de presos, que é de 31 mil. A superpopulação carcerária é grave problema no Estado, que dispõe de 11 mil vagas.

A partir deste sábado, os agentes seguirão à risca as determinações da Resolução do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária que determina que as escoltas a presos devem ser realizadas com a presença de dois agentes penitenciários para cada detento. Também as revistas dos visitantes nas unidades prisionais serão rigorosas e, consequentemente, mais demoradas.

Para o sindicato, o anúncio do governo estadual de contratação imediata de 132 agentes penitenciários não resolve a questão. Nivaldo afirma que a categoria também exige "respeito e dignidade" e não seja apontada, pelo governo estadual, como eventual bode expiatório pela falta de controle dos detentos nas unidades prisionais. Na semana passada, houve uma rebelião de três dias no Complexo Prisional do Curado, no Recife, o maior do Estado, com um saldo de três mortos, que deixou à mostra a livre circulação de detentos portando facas, foices e celulares.

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