1. Usuário
Assine o Estadão
assine

Agentes penitenciários temem novas rebeliões no Paraná

Miguel Portela, especial para o Estado - O Estado de S. Paulo

26 Agosto 2014 | 20h 06

De acordo com o sindicato da categoria, o sistema penitenciário do Estado não tem condição de desenvolver atividades com segurança

CASCAVEL - O Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen) fez um alerta nesta terça-feira, 26, para a situação do sistema penitenciário do Paraná, onde uma rebelião de presos deixou pelo menos cinco pessoas mortas neste fim de semana. De acordo com o Sindarspen, o sistema penitenciário do Estado não tem condições de desenvolver as atividades essenciais com segurança e a ressocialização dos presos.

O sindicato teme que a transferência dos presos rebelados para outras unidades aumente a tensão e o risco de novas rebeliões. O presidente do Sindarspen, Antony Johnson, afirma que o descaso do governo do Estado é o principal motivo da precariedade do Sistema Penitenciário no Paraná. "Não foram contratados funcionários suficientes para atender à demanda da população carcerária. Não foi implantada uma política pública de enfrentamento ao crime organizado. Todas estas omissões resultaram nessa crise que estamos enfrentando nos últimos tempos", avalia.

O Sindicato realizará nesta quarta-feira, 27, às 10h30, um ato público no centro de Cascavel para chamar a atenção das autoridades sobre a situação do sistema carcerário paranaense.

Motim em Cascavel
CGN - Central Gazeta de Notícias/Divulgação

Ao menos quatro detentos foram mortos - dois decapitados - durante rebelião neste domingo, 24, na PEC (Penitenciária Estadual de Cascavel), no oeste do Paraná. De acordo com a Polícia Militar, há vários presos feridos e dois agentes penitenciários foram feitos reféns.

Processos. A Defensoria Pública, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o Ministério Público Estadual pretendem fazer um mutirão para analisar os processos de todos os detentos da PEC (Penitenciária Estadual de Cascavel), que reúne 1.040 internos.

De acordo com a Defensoria Pública, o objetivo é identificar se há presos que já cumpriram penas e poderiam estar em liberdade. Essa ação terá que ter o aval do Tribunal de Justiça do Paraná.