Agora Maia reconhece quatro voos privados

Valores das despesas somariam R$ 54 mil; salário bruto de parlamentar é R$ 26,7 mil

Leandro Colon e Beto Barata, O Estado de S.Paulo

27 Agosto 2011 | 00h00

O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), fez pelo menos quatro voos em aviões particulares nos últimos quatro meses. Os valores das despesas somam, no mínimo, R$ 54 mil. Questionado desde quinta-feira pelo Estado sobre a origem do dinheiro para bancar essas aeronaves, Maia adotou a versão de que pagou com o salário de deputado federal: R$ 26,7 mil (bruto), ou renda líquida de cerca de R$ 20 mil.

Maia reconheceu essas viagens depois de dois dias de contradições ao ser questionado sobre o assunto. Na quinta-feira, em entrevista gravada ao Estado, afirmou que só havia feito uma viagem em voo fretado, no sábado passado, para Erechim e Gramado (ambas no RS), num avião da operadora de plano de saúde Unimed. "Foi a primeira vez que utilizei um voo particular", disse na quinta-feira. No mesmo dia, foi obrigado a mudar a versão e admitir que, no dia 4 de junho, viajou de Brasília para Goiânia e, de lá para Porto Alegre, num avião fretado.

Na manhã de ontem, em entrevista à Rádio Gaúcha, o presidente da Câmara dissera então que havia feito somente esses dois voos. A versão mudou novamente mais tarde, após a reportagem do Estado descobrir outras duas viagens particulares: uma no dia 29 de abril e outra em 24 de junho.

A assessoria de Marco Maia informou na noite de ontem que ele havia mesmo viajado nesses dias em aviões particulares. Em abril, fez o trecho Concórdia/Passo Fundo/São Paulo, que teria custado, segundo a assessoria, R$ 10,9 mil. No dia 24 de junho, foi de Brasília para Porto Alegre em voo particular ao custo de R$ 11 mil, de acordo com o petista.

Críticas. A oposição criticou ontem o uso de jatinhos particulares por Maia. O líder do PSOL, Chico Alencar (RS), cobrou do presidente da Casa a explicação sobre a origem do dinheiro que tem bancado esses voos fretados. "Ele deve explicações em nome da função que ocupa."

Como não tem colocado essas despesas na verba indenizatória, a que tem direito para custear o mandato, Maia adotou a versão de que tira do próprio salário o pagamento das aeronaves. O deputado do PSOL afirmou que é "inusitado" esse argumento do presidente da Câmara. "É um fato inusitado despender tantos recursos se você vive só da remuneração", disse Alencar. "Espero que ele explique a origem desses recursos. A única coisa que não pode ocorrer é empresários pagando viagens", afirmou o parlamentar.

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) afirmou que o PT, envolvido em recentes polêmicas sobre o mesmo tema, está misturando as relações públicas com as particulares. "Não há um discernimento claro do que é público e do que é privado", disse. O deputado Ônyx Lorenzoni (DEM-RS) chamou Maia de "cara de pau" em sua página do microblog Twitter.

Aécio disse que não conhece a fundo o caso do presidente da Câmara, mas usou o episódio para criticar a prática de aliados do governo usarem jatinhos de empresas particulares.

"O que nós temos observado ao longo dos últimos anos é que o PT institucionalizou uma prática", afirmou o senador tucano. "Não há um discernimento claro do que é público e do que é privado e eu acho que essa é a razão pela qual nós estamos assistindo essa série de problemas e de escândalos", ressaltou o tucano.

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