Emma Foster/Efe
Emma Foster/Efe

Airbus e Air France abrem guerra de versões sobre queda do voo 447

Fabricante do avião tenta culpar pilotos, enquanto companhia aérea adverte para falha eletrônica

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

29 Julho 2011 | 15h12

PARIS - A guerra de versões sobre as razões da queda do voo AF447 em 31 de maio de 2009 está declarada entre Air France e Airbus. Ainda que nas aparências as duas empresas sigam cordiais, as direções de ambas travam uma batalha para empurrar a culpa pelo acidente e pela morte dos 228 passageiros e tripulantes. Enquanto o discurso do fabricante reitera que "não há mais dúvidas" sobre a culpa dos pilotos, a companhia aérea frisa que ao longo dos três minutos de queda o trabalho dos pilotos foi dificultado por informações eletrônicas contraditórias.

 

Ao Estado, um executivo da Airbus disse que o relatório do Escritório de Investigação e Análise para a Aviação Civil (BEA) é cristalino sobre a suposta responsabilidade da tripulação - ainda que a direção do escritório afirme que não tem provas sobre o assunto. "Nós sempre dissemos que havia algo além da falha das sondas de velocidade. Elas foram o evento de origem, é verdade, mas há bem mais do que isso", diz.

 

Para ele não há mais dúvidas: "A queda foi causada por ações inapropriadas dos pilotos. Isto está claro". As lacunas na investigação, que não permitem saber que informações orientavam os pilotos no momento da tomada de decisão, não abalam sua convicção. "Eu acredito que neste momento entramos em fatores humanos e é muito difícil explicar as razões pelas quais os pilotos tomaram as decisões que tomaram." Diante disso, a responsabilidade é clara. "Não sou um especialista no domínio do direito, mas a companhia aérea é responsável direta pela ação de seus pilotos", argumenta.

 

Já a Air France mantém o discurso oposto. Em nota oficial, a empresa afirmou que a queda do voo AF-447 foi causada "por uma combinação de múltiplos elementos improváveis que conduziram à catástrofe em menos de quatro minutos". A companhia área cita então o congelamento dos sensores de velocidade - os tubos de pitot - e a "perda da proteção de pilotagens associadas". "Em um ambiente de pilotagem degradado e desestabilizador, o aparelho perdeu sustentação em alta altitude, não pode ser recuperado e atingiu a superfície do oceano Atlântico em grande velocidade", diz a empresa.

 

Ela completa: "As múltiplas ativações e paradas intempestivas e enganosas do alarme de perda de sustentação, em contradição com o estado do avião, contribuíram fortemente à dificuldade de análise da situação por parte da tripulação".

 

 

A nota da empresa faz ainda o elogio de seus pilotos. "A tripulação, reunindo as competências de dois oficiais pilotos de linha e do comandante de bordo, provou sua consciência profissional, permanecendo engajada até o final na condução do voo. Air France homenageia sua coragem e determinação em condições extremas."

 

Ao se digladiarem pela culpa da queda do voo AF-447, as companhias tentam reduzir suas responsabilidades no processo que corre na Justiça da França, onde respondem por crime de homicídio culposo.

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