Ajuda de governadores eleitos contribui para crescimento de Serra

O primeiro turno da eleição mostrou que o candidato tucano José Serra tem um poderoso potencial de crescimento em Estados onde seus aliados foram muito bem nas urnas.

Análise: Marcelo de Moraes, O Estado de S.Paulo

15 Outubro 2010 | 00h00

Serra não conseguiu reproduzir na corrida presidencial o mesmo desempenho obtido, por exemplo, pelos seus aliados em São Paulo, Minas Gerais e Paraná. Nesses três Estados, que concentram quase 52,5 milhões de eleitores, o PSDB elegeu no primeiro turno os governadores e já começam a influenciar no crescimento da campanha de José Serra.

Em São Paulo, Geraldo Alckmin foi eleito e agora se concentra em espalhar pelo Estado o pedido de apoio para a campanha de Serra. Essa campanha tem ainda o reforço de Aloysio Nunes Ferreira, surpresa na eleição para o Senado que acabou terminando em primeiro lugar.

Em Minas Gerais, a situação é até mais promissora para Serra. No primeiro turno, o ex-governador Aécio Neves priorizou sua eleição para o Senado e a campanha para emplacar Antônio Anastasia para o governo.

Por conta disso, não se incomodou com a existência de eleitores que aceitavam votar nos dois, mas preferiam apoiar a petista Dilma Rousseff para a Presidência no lugar de Serra.

Agora, com as duas missões prioritárias executadas no primeiro turno, Aécio e Anastasia passaram a pedir votos exclusivamente para Serra, acabando com o chamado fenômeno "Dilmasia", reunindo o voto da petista com Anastasia.

Para complicar ainda mais, o cenário da campanha petista é incerto em Minas. Se no primeiro turno Dilma bateu Serra no Estado por mais de 1,7 milhão de vantagem, terá agora muita dificuldade para repetir esse desempenho agora.

Sua campanha em Minas foi baseada numa aliança costurada diretamente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na qual o PT abria mão da cabeça de chapa em favor de Hélio Costa, do PMDB. Em troca, peemedebistas coligaram com o PT em torno de Dilma.

A operação causou grande insatisfação dentro do PT mineiro, que contava com dois pré-candidatos ao governo com potencial de vitória: Fernando Pimentel e Patrus Ananias. O resultado das urnas mineiras foi generoso com Dilma, a mais votada no Estado, e cruel com seus aliados locais. Hélio Costa perdeu, carregando seu vice, Patrus, e Pimentel, candidato ao Senado, para o mesmo insucesso eleitoral.

Nesse clima de insatisfação, os aliados de Dilma estão completamente desmontados para conseguir repetir em Minas a mobilização em torno de sua candidatura como ocorreu antes.

No Paraná, Serra também tem potencial para aproveitar a vitória do tucano Beto Richa na eleição para o governo estadual. Serra até venceu Dilma no primeiro turno, mas por uma margem muito estreita, de apenas 300 mil votos. Colado em Richa, pode conseguir ampliar essa diferença.

É JORNALISTA DE "O ESTADO DE . PAULO"

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