''''Alarde esconde o caso Pórrio''''

Polícia quer abafar o próprio escândalo, diz advogado

Bruno Paes Manso, O Estadao de S.Paulo

28 Outubro 2007 | 00h00

O ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh, que assumiu na sexta-feira a defesa do padre Júlio Lancellotti, disse ontem que policiais da 5ª Delegacia Seccional, onde o caso do religioso é investigado, têm feito alarde para desviar a atenção da imprensa das investigações de corrupção envolvendo o ''''grupo de Pórrio''''. Ele refere-se ao delegado Pedro Luiz Pórrio, acusado de extorquir e torturar comparsas do traficante colombiano Juan Carlos Abadia e preso na semana passada por extorquir traficantes de Campinas. Pórrio trabalhava na 5ª Seccional. ''''O grupo do Pórrio comanda a 5ª Seccional. Nas vésperas de ele ser preso, o escândalo do padre Júlio vazou para a imprensa'''', disse Greenhalgh. ''''Os jornalistas continuaram ao longo da semana sendo abastecidos por informações infundadas. Isso me leva a crer que existe uma operação para desviar o foco de um escândalo de corrupção'''', afirmou o advogado. O delegado Emílio Paulo Braga Françolin, titular da 5ª Seccional, comandou, até 2005, ao lado de Pórrio, a 2ª Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) do Departamento Estadual de Narcóticos (Denarc). No ano passado, Françolin virou seccional de Osasco e levou Pórrio para comandar a Dise e o Setor de Investigações Gerais (SIG) da cidade. Na quarta-feira, um dia depois de estourar o escândalo do padre Júlio, Françolin orientou, no prédio da 5ª Seccional, a reportagem do Estado a falar com o delegado André Luiz Pimentel, responsável pelo inquérito de extorsão. E pediu a Pimentel, com quem trabalhou em Osasco até o mês passado, que liberasse para os jornalistas todas as informações disponíveis sobre as investigações. Procurado, Françolin não foi localizado para falar sobre as acusações feitas pelo advogado do padre. Para Pimentel, as críticas de Greenhalgh são absurdas. ''''O inquérito já havia sido instaurado aqui antes de chegarmos'''', afirmou. ''''Tenho 14 anos de Corregedoria, não estou aqui para tentar abafar nada.'''' SUSPEITA Greenhalgh levantou suspeitas ainda sobre uma suposta testemunha de atos libidinosos entre o padre e um adolescente, ouvida na semana passada pela polícia. Segundo ele, a mulher, que teve o nome mantido em sigilo, é ex-companheira de Gilberto da Silva, ex-presidente do Sindicato de Funcionários da Febem, antigo desafeto do padre. ''''Por que buscar o depoimento de um desafeto e divulgar? Para desviar a atenção de um escândalo de corrupção.'''' Silva não foi localizado para comentar as declarações. As acusações da mulher foram exibidas na TV Record antes das declarações formais aos policiais. COLABOROU BRUNO TAVARES

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