Alckmin abre campanha por prévias em 2012

Governador de São Paulo confirma interesse de Matarazzo e defende publicamente a consulta primária como forma de escolher o candidato do PSDB

Gustavo Uribe / AGÊNCIA ESTADO, O Estado de S.Paulo

21 Julho 2011 | 00h00

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), uniu-se ontem ao presidente municipal do partido em São Paulo, Julio Semeghini, e defendeu publicamente, pela primeira vez, as eleições primárias para a escolha do candidato tucano à Prefeitura de São Paulo em 2012. Segundo ele, a democracia começa "dentro dos partidos".

"Eu acho que quanto mais você amplia a consulta, melhor é a decisão. Legitima quem sai candidato", afirmou, após participar de cerimônia de sanção de lei que autoriza a concessão de incentivos fiscais para o Estádio do Corinthians. "E quem não for escolhido, teve a oportunidade de disputar e tem o dever moral de apoiar", acrescentou.

Em abril, o Estado antecipou que o grupo do governador, que acabara de assumir o comando do PSDB paulistano, iria trabalhar pelas prévias municipais. A posição de Alckmin, um dos principais líderes nacionais do partido, deverá ser levada em breve para as esferas estadual e nacional, com vistas às disputas de 2014 em todo o País.

Ontem, o governador confirmou o interesse do secretário de Cultura, Andrea Matarazzo, de se lançar pré-candidato para a sucessão de Gilberto Kassab. Alckmin, contudo, foi evasivo quando questionado se o tucano é um bom nome para a disputa. "Ele foi tomar um café (comigo) e disse que quer ser pré-candidato. Agora, esse é um tema que cabe ao partido decidir e ele só deve discuti-lo no ano que vem", afirmou.

Com a chancela do ex-governador José Serra, Matarazzo informou seu interesse em entrar na disputa na última segunda-feira, numa reunião que, oficialmente, trataria de iniciativas para a divulgação da cultura italiana no Estado de São Paulo.

A expectativa é de que o tucano comunique oficialmente ao partido a sua pré-candidatura no início de agosto. Além de Matarazzo, o deputado federal Ricardo Tripoli já entregou ao comando municipal do PSDB assinaturas de delegados da sigla que apoiam sua intenção de concorrer à Prefeitura de São Paulo.

O governador, segundo aliados, tem incentivado todos os tucanos interessados a postularem a vaga, mas teria preferência pelo secretário estadual do Meio Ambiente, Bruno Covas, que já foi, inclusive, sondado por Alckmin para a disputa. O neto do governador Mário Covas 1930-2001), de acordo com tucanos, só pretende se lançar na corrida pré-eleitoral se tiver o apoio incondicional do Palácio dos Bandeirantes.

No evento de ontem, o governador comemorou ainda o anúncio do comando nacional do PSDB de criar uma espécie de "shadow cabinet" para acompanhar as iniciativas do governo federal em diversas áreas. A proposta, inspirada na tradição britânica de um gabinete ministerial de oposição, é defendida desde o início do ano por Alckmin.

"Eu sou parlamentarista, o PSDB tem em seu estatuto a defesa do parlamentarismo, e o "shadow cabinet" é um instrumento da oposição no sistema parlamentarista", afirmou. A proposta é acompanhar as ações do governo federal e fazer frente ao governo da presidente Dilma Rousseff, do PT.

"É preciso acompanhar as ações do governo e fazer uma oposição madura e inteligente, não deixando o governo federal se acomodar, criticando quando precisa ser criticado, apresentando alternativas", afirmou.

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