Ed Ferreira/AE
Ed Ferreira/AE

Alckmin elogia Dilma e discute dívida

Tucano vai pedir em maio que governo federal amplie teto de endividamento de SP em R$ 15 bilhões, para aumentar investimentos

Roberto Almeida e Leonencio Nossa, O Estado de S.Paulo

17 Março 2011 | 00h00

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou ontem que a solicitação para ampliação do teto da dívida paulista em R$ 15 bilhões, pretendida pelo Palácio dos Bandeirantes para aumentar a capacidade de investimento do Estado, será encaminhada ao governo federal em maio, quando a União discute o Programa de Ajuste Fiscal de São Paulo. O aumento do limite de endividamento do Estado foi discutido ontem pelo governador com a presidente Dilma Rousseff, em Brasília.

No encontro, o tucano defendeu a ampliação do teto em virtude da queda da relação entre a dívida e a receita corrente líquida da Fazenda paulista.

Num momento de perda de espaço do ex-governador paulista José Serra para o senador Aécio Neves (MG) no PSDB, e de mudanças no comando do também oposicionista DEM, Alckmin se valeu da "relação institucional" com o Planalto para se colocar como interlocutor da oposição e de São Paulo com Dilma, avaliaram auxiliares da presidente.

O tucano tentou ontem dar o máximo de visibilidade à primeira audiência com Dilma. Questionado sobre a postura discreta da presidente, que chegou a ser comparada, como ele, a um "picolé de chuchu", o governador riu e elogiou a petista: "Nós torcemos muito por ela, por seu trabalho. Ela tem conhecimento de Estado e de gestão. São Paulo será um parceiro deste trabalho".

Convencimento. "Em relação à questão do endividamento, mostrei que São Paulo melhorou muito a relação da dívida sobre a receita corrente líquida. A relação, que a Lei de Responsabilidade (Fiscal) estabelece como dois, nós estamos hoje em 1,5. Isso abre um espaço grande para novos financiamentos", afirmou Alckmin à noite, após receber o cônsul-geral do Japão, Kazuaki Obe, e a comunidade japonesa no Palácio dos Bandeirantes.

De acordo com dados da Secretaria da Fazenda de São Paulo, a dívida paulista saltou de R$ 120 bilhões no final de 2007 para R$ 152,7 bilhões no fim do ano passado. Alckmin quer chegar a 2014 com um total de R$ 80 bilhões em investimentos. Indagado se Dilma acenou positivamente sobre o montante pretendido por São Paulo, não respondeu.

O Programa de Ajuste Fiscal, que definirá se São Paulo pode ampliar o teto de sua dívida, foi assinado por 25 governadores no final da década de 1990 como parte do refinanciamento da dívida dos Estados.

O Palácio dos Bandeirantes terá de apresentar, em maio, um balanço das contas estaduais e metas para o triênio. Os dados ainda passarão por avaliação do Ministério da Fazenda e análise do Tesouro Nacional.

Infraestrutura. Na reunião com Dilma, Alckmin exemplificou investimentos que pretende fazer. O tucano destacou a execução da asa norte do Rodoanel, que, segundo ele, será feita inteiramente com dinheiro público, da hidrovia Tietê-Paraná, do Ferroanel paulista e do trem-bala.

Após o encontro, Alckmin fez questão de ressaltar que suas posições sobre obras de infraestrutura em São Paulo contam com o apoio da "presidenta" Dilma. "A presidenta foi receptiva com as obras do Rodoanel", "a presidenta defendeu também o trem de alta velocidade", "Dilma se preocupa com a logística", repetiu o tucano, como um mantra.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.