Werther Santana/AE
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Alckmin pede barreira contra novos partidos

Após ver seu vice, Guilherme Afif, aderir ao novo PSD, governador critica criação de siglas

Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

30 Março 2011 | 00h00

AGÊNCIA ESTADO

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), defendeu ontem a realização de uma reforma política que enfoque a fidelidade partidária, o voto distrital e a cláusula de barreira. Questionado sobre a criação do PSD pelo prefeito Gilberto Kassab, Alckmin disse, em entrevista à rádio Estadão ESPN, que o País tem 30 partidos, mas não "30 ideologias". "É preciso ter cláusula de barreira, que se estabeleça um número menor de partidos e fidelidade partidária."

O tucano evitou criticar a movimentação de seu vice, Guilherme Afif Domingos, que anunciou sua saída do DEM para integrar o PSD. "A legislação hoje permite", limitou-se a dizer. No entanto, Alckmin insinuou que a criação de uma legenda não contribuiu com o fortalecimento do sistema político. "Precisamos ter menos partidos, e partidos mais programáticos."

Nos bastidores, o grupo de tucanos ligados a Alckmin está insatisfeito com a decisão de Afif. Segundo eles, a vaga de vice havia sido oferecida ao DEM, não a um novo partido.

Com o PSD, Kassab tenta criar uma alternativa para disputar o Palácio dos Bandeirantes contra o próprio Alckmin. Por isso, uma eventual fusão do PSD com outra sigla mais forte, como o PSB, por exemplo, pode complicar os planos do governador.

Desde 2002, quando Claudio Lembo foi vice na chapa de Alckmin ao Bandeirantes, o DEM vem atuando como linha auxiliar do PSDB paulista.

Sem citar nomes, Alckmin declarou que a adoção da votação distrital impediria, por exemplo, que envolvidos no mensalão do governo do PT (em 2005) tivessem sido reeleitos. "Reelegeram-se porque foram buscar voto no Estado inteiro. Se o voto fosse distrital, ninguém se reelegeria", afirmou. De acordo com o governador, o voto por distrito aproxima o parlamentar do eleitor e barateia a campanha. "Hoje, elege-se quem está na mídia."

Dilma e a oposição. Sobre o papel da oposição na esfera federal, Alckmin respondeu às críticas de que o PSDB apresenta um desempenho apático. "Não fazemos oposição de forma raivosa, como o PT fazia com o Fernando Henrique. É uma oposição madura, não é uma oposição eleitoreira", afirmou. "Mas não é fácil fazer oposição no Brasil", admitiu.

O governador evitou críticas à presidente Dilma Rousseff. "Ela começou bem-intencionada, corrigindo temas na política externa que precisavam ser corrigidos", disse. "Quem tem de avaliar são os eleitores. Ela tem de ser avaliada no fim do mandato."

Voto em lista

A comissão especial da reforma política no Senado aprovou, por 9 votos a 7, a adoção do voto proporcional com lista partidária fechada na eleição. O relatório final da reforma será concluído em abril.

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