Alemão preso em Alagoas acusa Alemanha de perseguição

Empresário é preso e acusado de ter dado golpe de 132 mil euros em empresa de seu país

Ricardo Rodrigues, do Estadão,

17 Julho 2007 | 15h22

O empresário alemão Horst Michael Meffert, que está preso há três meses na carceragem da superintendência da Polícia Federal de Alagoas, denuncia o governo alemão de perseguição. Segundo o empresário, que é dono de uma barraca na Pajuçara, sua prisão é "arbitrária e ilegal".   "Esta é a segunda fez que eu sou preso, acusado de um crime que eu não cometi", afirma o Michael, que tem 41 anos e é conhecido por Miguel. Antes de ser preso pela Polícia Federal de Alagoas, em 11 de abril, o empresário alemão, que é doutor em informática e entrou no Brasil em 2003 com 850 mil euros, foi preso pela PF de Pernambuco e passou quase um ano preso em Recife (PE).   O alemão é acusado de ter dado um golpe de 132 mil euros na empresa em que trabalhava na Alemanha. Miguel se diz inocente e vítima de farsa montada por seu ex-patrão. "Eu trabalhava para uma empresa de informática e vendia equipamentos de computação. Até pedir demissão e embarcar para o Brasil, não havia nenhuma denuncia dessa empresa contra a minha pessoa na Alemanha", afirma.   "No entanto, aproveitando a minha ausência, esse meu ex-patrão decidiu me denunciar de ter dado um golpe nos clientes da empresa, ao vender equipamentos e não entregá-los aos compradores", explicou.   "Se eu fosse bandido, se tivesse praticado essa fraude, não teria entrado no Brasil de forma legal, em 2003. Não teria declarado ao governo brasileiro que estava entrando no País com 850 mil Euros e declarado à Receita Federal um patrimônio estimado em R$ 3 milhões", afirmou Miguel, que também é advogado.   Segundo ele, seu ex-patrão aproveitou-se da sua ausência para responsabilizá-lo pelo golpe nos clientes da empresa.   Perseguição   Revoltado com a perseguição que diz sofrer do governo alemão, o empresário abriu mão da nacionalidade alemã. Miguel aguarda agora o julgamento de um habeas-corpus que seu advogado impetrou no Supremo Tribunal Federal (STF), pedido para que ele responda às denúncias em liberdade.   Segundo seu advogado, Raúl Carlos Brodt, o pedido de habeas-corpus foi entregue ao STF no dia 11 de junho, mas até agora não foi julgado pelo ministro-relator. Os advogados de Miguel alegam que não houve fundamentação legal para a decretação da prisão preventiva do alemão.   "Não há nos autos documentos que comprovem o crime praticado pelo extraditado, ou seja, documentos que normalmente deveriam vir com o requerimento de extradição, como por exemplo, a cópia do mandado expedido no estrangeiro, da sentença lá proferida ou de equivalente, como é o caso da reprodução de auto de prisão em flagrante, mandado de prisão, ou ainda, em fuga do indiciado", argumentam as advogadas.   "Além disso, as denúncias foram feitas por consumidores da Alemanha contra o empresário Bernhard Banhuber, dono da empresa WTSC, destacam as advogadas, no habeas-corpus impetrado no STF. "O paciente (Miguel) era apenas um simples funcionário que exercia a função de técnico em programação e não era responsável por pagamentos, entradas e saídas de mercadorias", acrescentam.   Segundo as advogadas, o fato de não ser dono da empresa - como pode ser comprado pelo contrato social da WTSC e contrato de trabalho do acusado -, Miguel não poderia ser responsabilizado pelo golpe. "Por isso, as advogadas pediram a negativa de autoria de delito e solicitaram a sua liberação imediata do Miguel", explicou Raúl Carlos, que foi contratado para autuar no caso porque fala fluentemente o alemão.   Para o empresário Miguel, o mais importante agora é que o STF julgue o quanto antes o seu pedido de habeas-corpus, para que possa voltar ao comando dos negócios em Maceió, onde investiu em imóveis e comprou recentemente uma barraca na orla por R$ 150 mil. "Não desejo isso que estou passando para meu maior inimigo. Espero que esse mal-entendido todo seja revisto pelas autoridades no Brasil", afirmou o alemão.   Miguel disse que sua cidadania alemã foi cassada pelo governo alemão e ele não tem interesse em reconquistá-la. "Eu não quero saber mais nada daquele país", afirma o empresário. Ele que quer continuar morando em Maceió, mesmo como estrangeiro sem pátria. "Sou um alemão despatriado", brinca o empresário, que tem uma filha nascida na Itália e um filho nascido no Brasil.

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