Aliados mostram compreensão, mas com prazo de validade

Expectativa é que em agosto liberações sejam retomadas; já a oposição critica cortes, que vê como custo dos gastos eleitorais

, O Estado de S.Paulo

01 Março 2011 | 00h00

O PMDB e o PP na Câmara reagiram com compreensão aos cortes no Orçamento. Apesar da boa vontade neste primeiro momento, o líder do PP, Nelson Meurer (PR), alertou para possíveis problemas para a presidente Dilma Rousseff no Congresso se a liberação de recursos não for feita depois de junho. "Vamos dar um prazo para ela (presidente). Se (as liberações) não acontecerem a partir de agosto, ela começará a ter problemas para manter sua base no Congresso", disse o líder do PP.

Ele afirmou ter esperanças de que a receita da União continuará crescendo e a inflação se estabilizará. Com isso, analisa, Dilma terá condições de liberar os recursos das emendas ao Orçamento feitas pelos parlamentares.

O líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), evitou polêmicas. "Os cortes não foram dirigidos para os ministérios A, B ou C. Foi uma questão conjuntural que é grave e que impõe essa proposta de contingenciamento no Orçamento", disse. Ele espera que amanhã, quando Dilma se reunirá com os líderes governistas, sejam dadas explicações mais detalhadas sobre os cortes.

"Nós temos de compreender que a presidente está colocando a casa em ordem. É justo que ela tenha até o mês de junho para tomar conhecimento de como se encontram os compromissos assumidos pelo governo anterior", disse Meurer.

Para o secretário de comunicação do PT, deputado André Vargas (PR), os cortes são "necessários e prudentes". "Ninguém corta porque gosta. Não podemos começar o ano com um Orçamento fictício. E o Congresso tem tornado o Orçamento muito elástico, criando receitas onde não existem", observou.

Oposição. Os líderes do DEM e do PSDB criticaram principalmente o corte de R$ 5,1 bilhões na expectativa de investimentos no programa Minha Casa, Minha Vida, uma das bandeiras de campanha de Dilma.

Para ACM Neto (DEM-BA), o corte no programa habitacional é simbólico. "A presidente começa a descumprir uma de suas promessas de campanha ao cortar o programa Minha Casa, Minha Vida. Este foi um dos principais símbolos da campanha dela." O líder do DEM afirmou que o corte é decorrência dos gastos do governo no período eleitoral.

"A farra acabou, a conta chegou", definiu o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP). Para ele, o governo se excedeu nos gastos no período eleitoral, a fim de garantir a eleição da candidata governista, e agora precisa reduzir investimentos.

O líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP), criticou o corte no Minha Casa, Minha Vida e em outras áreas sociais. "É um corte malfeito. Tem corte no Minha Casa, Minha Vida, nos recursos para Apaes e nas creches", reclamou.

REPERCUSSÃO

Henrique Alves

Líder do PMDB

"Os cortes não foram dirigidos aos ministérios A, B ou C. Foi uma questão conjuntural que é grave e que impõe essa proposta de contingenciamento no Orçamento"

Aloysio Nunes Ferreira

Senador, PSDB-SP

"A farra acabou, a conta chegou"

Nelson Meurer

Líder do PP

"Vamos dar um prazo para ela (presidente). Se (as liberações) não acontecerem a partir de agosto, ela começará a ter problemas para manter sua base no Congresso"

Duarte Nogueira

Líder do PSDB

"O governo está cortando investimentos em um momento de desaquecimento da economia e os investimentos seriam necessários"

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