Aluguel é difícil e caro para estudante

Os 2 mil brasileiros que procuram Paris regularmente penam meses em filas e ficam até em imóveis precários

Andrei Netto, O Estadao de S.Paulo

05 Outubro 2008 | 00h00

Enquanto novos proprietários brasileiros desfrutam do glamour de Paris, estudantes recém-chegados à capital francesa penam meses em filas, pagam caro e vivem, não raramente, em condições precárias. O lado oposto ao charme parisiense prevê dificuldades às vezes intransponíveis: jovens sem documentação completa, sem endereço fixo, sem emprego, sem fiadores e com orçamento limitado disputam o caríssimo espaço da cidade. A chegada de brasileiros a Paris se mantém estável e é marcada por estudantes - são 2 mil, segundo a Associação dos Pesquisadores Brasileiros na França (Apeb-Fr). Para eles, alugar apartamento em Paris não é impossível. Mas é difícil. Mariana Schmitz, catarinense de 26 anos, mestranda em Teatro na Sorbonne, alugou ainda em Florianópolis um apartamento por um mês na França. Nesse prazo, imaginou, seria possível alugar outro. Dossiês plenos de documentos, exigência de fiadores e caução foram obstáculos que a surpreenderam. "Imaginava que os franceses fossem mais abertos à negociação. Deixava meus documentos, mas nunca tinha retorno. Proprietários falavam que aceitavam meu dossiê, mas dariam preferência a franceses com fiador." A solução foi contar com a solidariedade dos compatriotas. Por meio de amigos, localizou uma brasileira que tinha um studio de 20 metros quadrados. Paga 630. "O melhor é contatar proprietários que tenham alugado a brasileiros", aconselha. Jorgea Figueiró, de 26 anos, mestranda em Relações Internacionais na Sorbonne, enfrentará pela segunda vez o problema. Há um ano e meio, a gaúcha insistiu dois meses até conseguir alugar um apartamento. Por um quarto e 30 m² no 7º distrito de Paris, pagava 850. Agora, volta ao mercado: "Há um mês estou sendo recusada." O pior é que o drama não muda com o correr dos anos. "O aluguel e as garantias são sempre problemas para quem vem e quer morar na Paris intramuros", explica Wilson Carlos Maia Filho, de 30 anos, ex-presidente da Apeb-Fr. "Além de ser difícil alugar, é preciso pagar caro, mesmo que o apartamento seja de 1930, no sexto andar, sem elevador." Com uma agravante. "Estudantes brasileiros chegam a Paris com média de 35 anos, muitos já casados. E precisam de um imóvel com cerca de 50m², que dificilmente custará menos de 1,5 mil." Detalhe: metade dos signatários da Apeb-Fr na internet tem bolsa de estudos, que oferecem entre 1,1 mil e 1,4 mil por mês. É preciso ainda se cercar ao máximo de garantias para evitar surpresas. Estudante de Cinema e Audiovisual, a campineira Lívia Perez, de 22 anos, perdeu dinheiro ao ser vítima, com outras seis pessoas, de uma falsa sublocação. "Um rapaz ligou oferecendo apartamento para alugar por um ano, dizendo que iria estudar em Montpellier. Chegamos a assinar contrato e pegar as chaves." No dia da mudança, Lívia entrou no imóvel e encontrou outros dois "locatários". "Logo depois chegaram mais um australiano, com caminhão de mudança, e um italiano. Na delegacia, descobrimos mais duas vítimas. Todos tínhamos sublocado o apartamento de uma pessoa que se fazia passar pelo locatário verdadeiro. Mas ele estava em Montpellier e repassara o imóvel ao golpista." A polícia francesa investiga o paradeiro do estelionatário.

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