Wilton Junior/Estadão
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Análise: Fogo cruzado atinge jovens e mostra face mais aguda da crise

'Então não há saída? Claro que há, isso só mostra as consequências de se pensar em resolver a violência com mais violência'

Renato Sérgio de Lima*

07 Fevereiro 2018 | 00h42

Quando vemos casos como o de uma criança baleada em um assalto e o de um adolescente atingido durante incursão policial é que percebemos o quão banal a vida está no País. Mais: como vivemos em situação de abandono, reféns do medo e no meio do fogo cruzado. Olhando para isso, é natural que perguntemos: então não há saída? Claro que há, isso só mostra as consequências de se pensar em resolver a violência com mais violência.

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O Rio é a face mais aguda de um problema crônico no País. Não há nenhum Estado onde o cidadão se sinta completamente seguro. O que o ministro da Defesa chamou de falência do sistema é a incapacidade nacional de pensar em um modelo que, ao mesmo tempo em que ofereça direitos à população, faça frente à dinâmica do crime organizado.

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Pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança de 2017 mostrou que um terço da população brasileira diz ter conhecido alguma vítima de assassinato. São pessoas que tentam sobreviver à tragédia das mais de 60 mil mortes violentas no País por ano. Não é só um problema daquelas que morrem, mas também dos que sobrevivem e tem de lidar com essa realidade.

*É diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública

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