Análise: Imagem de Francisco ficará na memória de todos

Passagem do papa pelo País durante a Jornada Mundial da Juventude foi marcada pela emoção

José Maria Mayrink, O Estado de S. Paulo

29 Julho 2013 | 21h56

O papa Francisco pediu aos voluntários da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), ao se despedir deles no Riocentro,que não se esqueçam de nada do que viveram na semana passada no Rio. Ninguém vai esquecer, não só os voluntários, mas todos aqueles que participaram de missas e encontros ou que assistiram a esses atos pela televisão. A imagem de Francisco ficará na memória de todos, do congestionamento na Avenida Presidente Vargas, na tarde da chegada, à emoção da despedida no Galeão, no começo da noite de domingo.

As cenas do papa acenando em carro aberto, beijando crianças, abraçando uma mulher de 99 anos, sorrindo o tempo todo e sempre pedindo que todos rezem por ele, ficarão na lembrança dos brasileiros. Isso é mais fácil do que guardar suas palavras e refletir sobre elas, um desafio para todos os católicos e, principalmente, para os bispos, padres, seminaristas e religiosos/as que trabalham na pastoral da Igreja. Esses terão de se debruçar sobre os textos de Felipe e meditar sobre suas recomendações.

Quem dirige a Igreja ou quer viver o cristianismo com dedicação e autenticidade terá de vestir a carapuça e bater no peito, se achar que não está levando a fé a sério, comprometendo-se com Jesus Cristo e com os irmãos. Francisco insistiu na solidariedade e no diálogo, aconselhando os missionários – clérigos ou leigos – a buscar as periferias existenciais. Não basta abrir as portas dos templos, é preciso sair ao encontro das pessoas, de todas as pessoas, mas especialmente dos pobres.

Não se decepcione quem esperava discursos marcadamente políticos, nos quais o papa se dirigisse em palavras diretas às autoridades do governo. Francisco não agiu dessa maneira, mas deu o seu recado, ao falar de combate à pobreza, ao uso das drogas e às desigualdades sociais. E falou nos cenários apropriados, como, por exemplo, na comunidade/favela da Varginha.

Os discursos à sociedade, na qual todos se incluem, foram diretos e fortes. Merecem especial atenção as orientações dadas a bispos e padres, na missa de sábado na Catedral Metropolitana, no encontro com o episcopado brasileiro no Palácio São Joaquim também no sábado e no almoço com membros do Conselho do Episcopado Latino-Americano (Celam) ontem, na residência do Sumaré.

No almoço com o Celam, embora falando em tom coloquial, Francisco convidou os bispos a fazer um exame de consciência sobre sua ação pastoral, perguntando-se como é seu contato com o povo, como são suas homilias, se não estão utilizando métodos antiquados de uma Igreja acomodada. O papa pediu desculpas pelo tom do encontro e pela extensão do discurso, mas explicou que tinha de falar “de bispo para bispo”.

O papa não tinha de pedir desculpas nem de dar explicação.

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