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Análise: Não há lugar na Igreja para religiosos acusados de pedofilia

José Maria Mayrink

SÃO PAULO - O papa Francisco deixou claro, ao receber nesta segunda-feira, 7, um grupo de vítimas de abusos sexuais, que não há lugar na Igreja para bispos, padres e religiosos culpados por crimes de pedofilia. Mais do que pedir perdão pelos pecados cometidos por membros do clero contra menores, ele voltou a garantir que não haverá impunidade. 

“Comprometo-me a não tolerar o dano causado a um menor perpetrado por qualquer pessoa, independentemente de seu estado clerical”, afirmou na homilia da missa celebrada na capela de sua residência, a Casa Santa Marta.

O papa anunciou medidas duras para punição dos criminosos, 41 dias após ter informado aos jornalistas, no voo de volta da visita à Terra Santa, que naquele momento havia três bispos sob investigação e que um deles já havia sido condenado, faltando apenas determinar a pena que lhe seria aplicada. “Não haverá privilégios”, afirmou Francisco. 

A punição do arcebispo polonês Jozef Wesolowski, no mês passado, provaria que o papa está disposto a ir às últimas consequências em suas atitudes. Ex-núncio apostólico na República Dominicana, o arcebispo sofreu a redução ao estado leigo e foi processado canonicamente por abusos contra menores. Logo que sua expulsão do clero for ratificada por sentença definitiva, ele será processado penalmente pelo Vaticano.

A linha dura adotada pela Santa Sé para punição dos culpados de crimes de pedofilia se deve muito à ação adotada pelo cardeal Sean O’Malley, arcebispo de Boston (Estados Unidos) e coordenador da comissão nomeada pelo papa a tutela dos menores.

Interessante observar que, além do jesuíta alemão Hans Zollner, do jurista italiano Claudio Papale e do teólogo argentino Humberto Miguel Yanez, quatro mulheres participam dessa comissão - a francesa Catherine Bonnet, a irlandesa Marie Collins, a inglesa Sheila Hollins e a ex-primeira ministra polonesa Hanna Suchicka.

Antes de Francisco, também Bento XVI, agora papa emérito, encontrou-se com um grupo de vítimas de abuso sexual cometido por padres pedófilos, em 17 de abril de 2008, na Nunciatura de Washington. Foi o primeiro encontro, seguido de outros que ocorreram na Austrália, Malta, Reino Unido e Alemanha.