Reprodução/ Twitter/ @PCERJ
Reprodução/ Twitter/ @PCERJ

Análise: rastreio é forte golpe contra o crime organizado

'Sabemos que uma menor disponibilidade de armas afeta indicadores de roubos e homicídios'

Bruno Langeani*, Instituto Sou da Paz

09 Janeiro 2018 | 03h00

Tem de ser celebrado esse trabalho de inteligência que melhora a qualidade do rastreio de armas. Retirar fuzis e metralhadoras de circulação e descobrir quem está fornecendo esse material, prendendo as pessoas envolvidas, representa um forte golpe na criminalidade organizada, que usa essas armas para crimes específicos, como assaltos a transportadoras de valores, contra carros-fortes e caixas eletrônicos. O rastreio é uma das tarefas que a Polícia Federal pode fazer que é mais estratégica para ajudar na segurança nos Estados.

+++ Brasil tem maior número de mortes violentas do mundo

Outro fator positivo é o convênio recente da PF com os Estados Unidos para dar agilidade a esse trabalho. Mesmo com um fluxo mais intenso vindo do Paraguai e da Bolívia, esse rastreamento tem apontado que, não só grande parte das marcas é americana, mas com frequência armas de outros países, como Romênia e Turquia, são importadas para os Estados Unidos com o objetivo de, então, serem reexportadas para o Paraguai. Ter esse convênio acelera muito o rastreamento e faz com que os americanos também tomem providências. 

+++ Só seis Estados sabem quantos homicídios esclarecem anualmente

Apesar desse esforço, é importante notar que as apreensões de armas pelas forças federais (PF e Polícia Rodoviária Federal) têm caído nos últimos anos. Em 2013, essas forças representavam 13% do total de apreensões e, em 2016, foram 7%. Isso preocupa diante do compromisso do governo federal em se engajar mais com as apreensões. Sabemos que uma menor disponibilidade de armas afeta indicadores de roubos e homicídios. Ainda não podemos esquecer que o perfil que a PF trabalha não pode ser confundido com o perfil majoritário no País, composto por revólveres e pistolas empregados nos crimes comuns. Para isso, os Estados também têm de ser engajar nesse tipo de investigação.

+++ Em 3,5 anos, Rio apreende meio milhão de munições, mas ritmo cai em 2017

*BRUNO LANGEANI É COORDENADOR DE SISTEMAS DE JUSTIÇA E SEGURANÇA PÚBLICA DO INSTITUTO SOU DA PAZ

 

Mais conteúdo sobre:
tráfico de armas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.