Animais resgatados em Mariana recebem cuidados de voluntários

Cães, gatos, cavalos, porcos, galinhas, patos e vaca estão em área de 1.700 m² bancada pela Samarco; 605 bichos já foram retirados

Bruno Ribeiro, Enviado especial de O Estado de S. Paulo

08 Dezembro 2015 | 09h59

MARIANA - Já chega a 605 o número de animais resgatados na região de Mariana após o rompimento das barragens de rejeito de minério de ferro da Samarco. Os animais - cães, gatos, cavalos, porcos, gado, galinhas e patos - estão em uma área de 1.700 metros quadrados bancada pela empresa. Parte dos animais pertence a moradores dos vilarejos destruídos na tragédia.

Os cães passam o dia nas gaiolas, mas voluntários e os próprios donos dos bichos frequentam o espaço para levá-los para passear.

Segundo a mineradora, pelo espaço de acolhida já passaram 819 animais. Além disso, a companhia, responsável pelas barragens que causaram a tragédia, afirma que vem prestando atendimento a um total de 4.687 animais, espalhados pelas propriedades que sofreram impacto da lama.

Os cachorros, especialmente os filhotes, passam o dia cavando o chão para tentar escapar, e às vezes é possível ver algum filhote correndo solto. A responsável pelo espaço, Carolina Pheysey, técnica de Meio Ambiente da Samarco, diz que nenhum dos fujões se deu bem até aqui.

Como em um hospital, as gaiolas dos cães são numeradas e, na porta delas, há papéis com as recomendações para cada bicho. São 180 cachorros, e os filhotes estão na maioria das gaiolas.

Um dos casos que mais chama a atenção dos tratadores é uma cadela que foi encontrada que havia parido recentemente, mas estava sem filhotes. "Ela acabou por acolher ao menos seis cães diferentes, todos filhotes, que estavam sem as mães", conta Carolina. A gaiola dela é compartilhada com outra cadela que pariu recentemente.

A técnica explica que os animais que ainda não tiveram os donos localizados serão colocados para adoção. Mas a data para isso ainda não está definida. O abrigo, um galpão para os bichos pequenos com áreas externas cobertas para os animais de maior porte, está sendo ampliado para aumentar a qualidade do atendimento, passado este primeiro mês do acidente. A clínica veterinária improvisada no galpão deve se mudar, nesta semana, para um espaço maior, dentro do complexo, com mais estrutura.

"No caso dos animais de grande porte, é mais fácil reconhecer o dono, uma vez que muitos deles já estão marcados. Se não tem marca, pedimos para os donos virem aqui com testemunhas", explica a responsável pelo espaço.

O espaço que abriga os bichos foi mantido, até a última semana, com serviços de voluntários que se encarregaram de limpar as gaiolas e dar alimento aos bichos. Os cães e gatos estão em um galpão, que abriga também uma clínica veterinária e onde foram feitas pequenas cirurgias. Vinte e dois dos bichos que chegaram lá desde o dia 6, dia seguinte à tragédia, tiveram de ser levados a uma clínica, pois precisaram de cirurgias mais delicadas.

"Teve o caso de um porco que estava com a pata quebrada, que cuidamos até o dono aparecer. Quando ele chegou, disse que estava para matá-lo pouco antes do acidente. As cuidadoras não gostaram", comenta Carolina. "Alguns dos animais foram retirados da lama, mas muitos deles estavam só soltos no mato. O que aconteceu muito foi que a lama não invadiu a fazenda, mas quebrou a cerca e os animais saíram. Alguns deles terminaram atolados", continua.

Segundo o veterinário Arthur Nascimento, responsável pelos animais de grande porte, cavalos e vacas que chegaram ali, na maior parte dos casos, apresentava quadro de desnutrição. "Eles não foram atingidos pela lama. Mas estavam soltos, sem cuidados, alguns com viroses", afirma.

São 57 cavalos e nove bois e vacas. Três dos animais, duas éguas e uma vaca, tiveram filhotes no cativeiro.

Os bichos maiores devem ser removidos para quatro fazendas da região, onde ainda devem permanecer sob cuidados até que encontrem novo lar.

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