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Apesar de carro preso em antena de TV, Mangueira faz 'festança'

Pelo segundo ano consecutivo, escola apresentou problema em desfile

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Roberta Pennafort, de O Estado de S. Paulo,

03 Março 2014 | 01h02

RIO - A "festança brasileira" da Mangueira passou bonita e animada pela Sapucaí, agitando o público e encantando pelas alegorias bem acabadas - marca da carnavalesca Rosa Magalhães -, alas coreografadas e entusiasmo dos 4.500 componentes. No entanto, a escola, que saudou as festas mais populares de diferentes regiões do País, fez um desfile irregular.

Começou bem, com uma comissão de frente singela, porém potente e de fácil compreensão, que simbolizava a evolução das festas desde os primeiros contatos dos indígenas com os europeus. E acabou mal, com a escultura mais alta do quinto carro alegórico decepada pela torre de TV - um erro primário da carnavalesca que mais vezes venceu na Passarela do Samba (atual campeã, Rosa tem cinco campeonatos, e fez sua estreia na Verde-e-rosa, aos 43 anos de carreira).

A torre tem 9,3 metros de altura e, em geral, por precaução, os carros alegóricos mais altos chegam a, no máximo, nove metros. A escultura de índio, que representava o pajé da festa do boi de Parintins, no Amazonas, foi decapitada. O choque fez balançar uma câmera de TV. Isso aconteceu bem em frente à última cabine de jurados e provocou tensão entre os mangueirenses. No carnaval passado, a Mangueira cometeu o mesmo erro no mesmo lugar e um carro deu uma trombada forte na torre.

O diretor de alegoria da Mangueira, Renato Martino, afirmou que o problema ocorreu porque o mecanismo que controla a altura demorou para descer. "A escola veio bela, isso não atrapalhou".

Rosa, como de costume, fez uso criativo das cores da escola e criou carros com acabamento perfeito. O carro em alusão à parada gay era o mais criativo: quarenta integrantes vestidos com roupas pretas e fechadas entravam em armários e saíam com corpetes de passistas, como drag queens. A paradinha de Mestre Ailton agradou: ele subia num púlpito de maestro e comandava a bateria, que tocava, quase inteira, apenas tamborim (256 dos 280 instrumentistas), com a marcação do surdo. Neste momento, a rainha, Evelyn Bastos, subia em outra plataforma e sambava com ainda mais vigor. "Foram oito meses de ensaio. É ousado mesmo", dizia o mestre, na concentração.

O clima era de muito otimismo antes do desfile, como não se via havia muitos carnavais. Campeã pela última vez em 2002, a Verde-e-rosa entrou confiando no enredo alegre, de exaltação a tradições como as festas juninas, as procissões religiosas, o réveillon, o próprio carnaval e a parada gay, e calcada na experiência de Rosa Magalhães e do premiado coreógrafo Carlinhos de Jesus, de volta à comissão de frente depois de passar por outras escolas.

A Mangueira tem novo presidente, Chiquinho da Mangueira, desde maio de 2013, daí a atmosfera promissora. Ele tenta sanar R$ 11 milhões de dívidas, deixadas pelas duas gestões passadas. O investimento final no desfile ficou em R$ 8,5 milhões - bem menos do que gastaram escolas como Beija-Flor, Unidos da Tijuca e Grande Rio (cerca de R$ 15 milhões cada).

"A gente tira da cartola o que não tem na carteira. Comprei muita coisa no Saara (mercado popular carioca). A Mangueira está no meu DNA", disse Carlinhos. "Não viemos participar, e sim disputar o título. A Rosa, o Carlinhos, todos estão acreditando na gente", afirmou Chiquinho.

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