Após 1 ano de crise, FAB decide descentralizar controle aéreo

Quase 80% dos vôos sobrecarregam as atividades dos controladores que monitoram a área do Cindacta-1

Bruno Tavares, enviado especial do Estadão,

03 Outubro 2007 | 09h35

Pouco depois de completar um ano do emblemático acidente com um Boeing da Gol, em que 154 pessoas morreram na queda do avião após o choque com um jato Legacy, em Mato Grosso, a Aeronáutica decidiu redesenhar parte da área que está sob responsabilidade do centro de controle de vôo de Brasília, o Cindacta-1. A medida tem o objetivo de melhorar a segurança do sistema e aliviar a carga de trabalho dos controladores – quatro dos cinco profissionais indiciados no Inquérito Policial Militar que apura as causas do acidente trabalhavam no Cindacta-1 no dia da tragédia.   Veja também:  'Faltou autoridade na crise aérea', diz ex-presidente da Infraero  Justiça não aceita denúncia contra controladores envolvidos no acidente da Gol  Defesa de vítimas comemora união de processos  Juiz brasileiro quer saber como ouvir americanos  Pilotos rejeitam volta ao Brasil  Um ano de crise aérea    A partir deste mês, um pedaço da chamada FIR Brasília será transferido para o Cindacta-2, em Curitiba. Os militares estudam remanejar até o fim do ano um trecho da porção norte para o Cindacta-3, com sede no Recife. Pela configuração atual, quase 80% do tráfego aéreo nacional acaba sendo monitorado pelo Cindacta-1 em alguma fase do vôo. Quando for concluída, a mudança permitirá uma ligação direta entre as Regiões Sul e Nordeste. Outra medida que deve ajudar a amenizar a sobrecarga sobre o centro de Brasília é a reformulação da malha aérea, que começou a vigorar este mês.   "Se você quiser sair hoje do Recife para Manaus, tem de ir a São Paulo", explica um oficial da Aeronáutica. "O fim desse tipo de distorção também beneficia o controle de tráfego aéreo."   Essa não é a primeira vez que a Aeronáutica faz modificações técnicas para beneficiar os controladores. Em junho, quando o comandante da FAB, Juniti Saito, enquadrou a "liderança negativa" do Cindacta-1, afastando operadores, os militares adotaram corredores preferenciais de tráfego aéreo, os tubulões, entre São Paulo, Belo Horizonte e alguns destinos do Nordeste. O resultado foi tão satisfatório que, embora tivessem caráter emergencial, os tubulões continuam em funcionamento.

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