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Após 34 horas, governo do Paraná anuncia fim de rebelião

Miguel Portela, ESPECIAL PARA O ESTADO - O Estado de S. Paulo

25 Agosto 2014 | 17h 01

Iniciado por volta das 6 horas deste domingo, motim teve cenas de brutalidade protagonizadas pelos detentos

Atualizado às 21:59

CASCAVEL - Após 34 horas de rebelião, a Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos do Paraná anunciou por volta das 17 horas desta segunda-feira o fim do motim na Penitenciária Estadual de Cascavel (PEC), no oeste do Estado. Até as 21h, havia sido confirmada a morte de quatro presidiários - dois decapitados. Segundo o juiz Paulo Damas, da Vara de Execuções Penais, no entanto, o número de detentos executados pode chegar a 15.

Até a noite desta segunda, no entanto, informações de dentro do presídio mostravam que as forças de segurança ainda tinham dificuldade para controlar toda a unidade. Algumas alas resistiam aos policiais militares. Bandeiras do Primeiro Comando da Capital (PCC) eram ostentadas entre os detentos. Dois reféns ainda permaneciam entre os presos, e as autoridades esperavam libertá-los até o fim da noite desta segunda.

A condição imposta pelos presos para pôr fim ao motim - o primeiro desde sua inauguração, em 2007 -, e aceita pelo governo Beto Richa (PSDB), foi a transferência de 600 detentos.

Por volta das 19 horas, dois micro-ônibus lotados deixaram o local com os primeiros presos. Em seguida, outros dez veículos do Departamento Penitenciário (Depen-PR) também deixaram a prisão. Os micro-ônibus seguiram em comboio para a Penitenciária Estadual de Foz do Iguaçu, a 140 quilômetros de Cascavel.

O número de presos que seriam transferidos é mais da metade da população carcerária do local (1.038), conforme dados do Depen. Além disso, cerca de 145 detentos já haviam sido transferidos desde o início das negociações, no domingo.

Segundo Damas, as transferências serão feitas em grupos de 150 detentos cada. "Quando for concluída toda essa operação, os rebelados prometeram liberar os reféns", afirmou.

Perigo. Um dos presos rebelados que lideram a negociação com a Polícia Militar e com autoridades é o ruralista Alessandro Meneghel, que está detido desde 2012 por matar um policial federal. Em entrevista por telefone celular, ele disse que a situação era de tensão, apesar do anúncio do fim do motim pelo governo. Meneghel alertou para o risco de confronto. Ele disse que são quatro as vítimas do motim, abaixo do número estimado pelo juiz.

Por causa da falta de segurança, as equipes do Instituto Médico-Legal (IML) desistiram de entrar no presídio para recolher os corpos dos mortos. O trabalho deve ser iniciado nesta terça, quando se espera condição melhor para a retirada dos corpos e contagem das vítimas.