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Após arremeter por causa de helicóptero, piloto critica sistema aéreo a passageiros

Mônica Reolom - O Estado de S. Paulo

07 Fevereiro 2014 | 18h 14

Profissional diz que não foi avisado que aeronave estava na pista; Aeronática nega e afirma que piloto poderia ter pousado em segurança

O piloto de avião do voo 1400 da Gol que chegava à Brasília na manhã de quinta-feira, 6, decidiu arremeter após avistar um helicóptero na pista. Conforme antecipou a coluna da Sonia Racy nesta sexta, 7, depois do ocorrido, o piloto acionou o sistema de alto-falante do avião e criticou a torre de controle do aeroporto por não ter lhe dado nenhuma informação sobre a trajetória da aeronave.

A professora da USP Luisa Villa estava no voo e contou que o tom do piloto era de desabafo. "Ele pediu licença aos passageiros e disse que gostaria de explicar por que teve de descontinuar a aterrissagem. Segundo ele, foi necessário arremeter porque, apesar de ter um helicóptero no seu campo visual, ninguém havia passado nenhuma informação sobre isso e que a sua decisão foi baseada na segurança", disse a professora.

O piloto não parou por aí: "Ele afirmou, logo em seguida, que isso refletia problemas gravíssimos de infraestrutura no sistema aéreo. Depois, disse que lamentava o ocorrido". Para Luisa, o profissional parecia estar "de saco cheio", alguém que aparentemente já havia presenciado outros casos parecidos. "Eu tive vontade de aplaudi-lo, mas não é algo que se faça em um avião. Dava para perceber que ele estava saturado de problemas".

A Gol informou que não se manifestaria sobre as declarações do piloto.

Outro lado. Já a Aeronáutica, responsável pelo controle de tráfego aéreo, afirmou, em nota, que os pilotos da companhia foram informados da presença de um helicóptero que taxiava na pista lateral e que o controle autorizou o pouso "já que o helicóptero se encontrava a uma distância segura, sem causar qualquer interferência no procedimento da outra aeronave". Segundo o órgão, essa é uma situação corriqueira: "O pouso em tais circunstâncias é comum, não representando risco à segurança dos passageiros e operadores".