Após confusão, polícia suíça anuncia prisão de suspeito de matar brasileira

Autoridades balearam e prenderam pessoa errada dias antes; corpo de Fátima Schori foi achado em salão de massagem na cidade de Biel, no noroeste da Suíça

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

20 Outubro 2010 | 11h01

GENEBRA - Após uma confusão, a polícia da Suíça anunciou a prisão do suspeito de ter matado uma brasileira na cidade de Biel, no noroeste do país. Fátima Lorca Schori foi encontrada esquartejada há uma semana e o crime se transformou num pesadelo para as autoridades suíças.

 

Uma câmera registrou o principal suspeito do crime, um africano da Costa do Marfim. O problema é que a polícia da pequena cidade se confundiu ao buscar o suposto autor do assassinato, prendeu outro africano e chegou até mesmo a feri-lo com um tiro para que não escapasse. Somente na segunda-feira, finalmente, a polícia suíça anunciou que prendeu o suspeito correto. Mas o caso já chegou ao Parlamento suíço, com deputados acusando a polícia de racismo. Já a imprensa local vem usando o caso para mostrar que a polícia não está preparada para agir.

 

Fátima foi encontrada morta em seu salão de massagens. Cabeleira em Bauru, a brasileira de 45 anos foi apresentada pelos jornais suíços como prostituta. Na segunda-feira, a arma do crime foi encontrada. Mas a polícia apenas informou que ainda buscava o autor do crime. Depois de analisar o vídeo de uma câmera que registrou a vítima com um homem naquela noite, a polícia se apressou a sair em busca do suspeito.

 

Mas os problemas começaram na quinta-feira, quando a polícia acreditava ter encontrado o homem que aparecia na câmera. Ao se aproximar ao suspeito, a polícia notou que ele começou a correr. Foi então atingido por um tiro em sua perna para não escapar. Depois de ser indagado, o africano também da Costa do Marfim explicou que apenas fugia porque não tinha visto para estar na Suíça. Na terça, estava em um hospital, se recuperando e respondendo a interrogatórios da polícia.

 

Na segunda, as autoridades anunciaram que finalmente prenderam um homem de 20 anos e que, desta vez, não estaria equivocada. Mas agora terá de lidar com outro problema: a pessoa que havia sido confundida com o principal suspeito agora abrirá um processo contra a polícia, alegando que ele teria sido o alvo da busca apenas por ser negro, como o suspeito. Ricardo Lumengo, deputado da região e também negro, foi um dos que levantou o caso. "Se ele tentou fugir, foi porque ele não tem visto", disse Lumengo. "Temos confiança na Justiça. É necessário que esse caso seja esclarecido", declarou.

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