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Após execução de PM, seis traficantes são mortos pela polícia no Rio

Marcelo Gomes - O Estado de S. Paulo

04 Fevereiro 2014 | 23h 10

Objetivo da operação foi prender os traficantes do Comando Vermelho que participaram do ataque à base da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Parque Proletário

RIO - Seis suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas morreram, nesta terça-feira, 4, durante uma operação da Polícia Militar no Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, zona norte do Rio de Janeiro. Outros três suspeitos e dois PMs também foram feridos.

O objetivo da incursão foi prender os traficantes do Comando Vermelho que participaram, na tarde de domingo, do ataque à base da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Parque Proletário, no Complexo da Penha, zona norte. A polícia investiga se a ordem para o ataque partiu de chefes da facção que estão em presídios federais. A emboscada resultou na morte da soldado Alda Rafael Castilho, de 26 anos, atingida por um tiro de fuzil nas costas. Outras três pessoas foram baleadas na ocasião.

O comandante do 41.º Batalhão da PM, tenente-coronel Luiz Carlos Leal, afirmou que a operação foi realizada depois de a polícia ter encontrado no Juramento o carro usado no ataque à UPP na Penha, um Fiat Idea preto. O carro foi localizado na manhã de segunda-feira, após denúncias anônimas feitas por moradores da favela. "Depois que encontramos o veículo, entramos em contato com policiais da UPP, que à noite reconheceram o veículo como um dos usados na ação. A operação de hoje foi realizada porque tudo leva a crer que os atiradores sejam do Juramento", explicou Leal.

A ação no Juramento contou com apoio de veículos blindados da PM, conhecidos como Caveirões, para avançar sobre barricadas colocadas nas ruas pelos criminosos. Cerca de 20 traficantes teriam participado dos confrontos.

Os feridos foram levados para o Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier. Os PMs já foram transferidos para o hospital da corporação. O sargento Vinicius Telles de Oliveira foi baleado na coxa. Já o cabo Mauro Batista dos Santos foi atingido na bacia. O quadro de saúde dos dois é estável. Os mortos não foram identificados.

Armamento. Foram apreendidos durante a operação quatro fuzis AK-47, duas pistolas, granadas e drogas. Três suspeitos foram levemente feridos e estão detidos: dois adolescentes de 16 e 17 anos, e Carlos Luiz Tanário da Silva, de 19, que sofreu apenas alguns cortes. Os três foram indiciados na 27.ª Delegacia de Polícia (Vicente de Carvalho) por tráfico, associação para o tráfico, porte ilegal de arma e tentativa de homicídio. O menor de 17 anos permanece hospitalizado.

A Polícia Civil ainda investiga se os mortos e os detidos têm envolvimento com o ataque à UPP. As armas utilizadas pelos PMs foram apreendidas para exame de confronto balístico. Um rastro de sangue podia ser visto em uma escadaria que dá acesso ao alto do morro, onde ocorreu o tiroteio. O local já foi periciado.

Também na tarde desta terça, o perfil PMERJ FEM, no Facebook, publicou fotos com os corpos de cinco dos seis suspeitos mortos na operação. O post dizia: "A resposta à morte da SD Alda e do SD Rocha, ambos mortos no último final de semana, está sendo dada!". A Polícia Militar não havia se manifestado até as 20 horas.

A PM também realizou operações em pelo menos outras quatro favelas controladas pelo Comando Vermelho: Morro Jorge Turco, em Rocha Miranda (zona norte); Vila Kennedy, em Bangu (zona oeste); Favela do Rola, em Santa Cruz (zona oeste); e Morro do Banco, na Barra da Tijuca (zona oeste). Ao todo, dez pessoas foram presas durante as ações nas cinco favelas.

Memória. O Morro do Juramento era o reduto do traficante José Carlos dos Reis Encina, o Escadinha, um dos fundadores do Comando Vermelho na década de 80. Ele ficou famoso após protagonizar duas fugas cinematográficas do presídio de Ilha Grande, no litoral Sul do Estado do Rio. Na primeira, saiu em um barquinho a remo. Na segunda, em 1985, um helicóptero pousou no pátio da penitenciária para resgatá-lo. Foi preso 81 dias depois, num hospital na zona norte do Rio. Foi assassinado em 2004, depois de conseguir progredir para o regime semiaberto.

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