Após libertação de chineses, PM faz operação na Vila Cruzeiro

Na ação, que contou com 200 policiais e seis blindados, suposto criminoso morreu e 2 moradores foram feridos

Pedro Dantas, Marcelo Auler e Talita Figueiredo, O Estado de S>Paulo

18 Agosto 2008 | 20h17

Depois do reaparecimento dos dois últimos chineses levados por criminosos no sábado enquanto passeavam na estrada que dá acesso ao Cristo Redentor, a Polícia Militar fez na tarde desta segunda-feira, 18, uma operação na Favela Vila Cruzeiro, onde eles teriam ficado reféns com mais um chinês e um conselheiro da Embaixada do Vietnã. Na ação, que contou com mais de 200 homens de oito batalhões da PM e seis blindados, um suposto criminoso morreu e dois moradores da favela foram feridos a tiros.   Veja também: Chineses seqüestrados no Rio são localizados após quase 48 h Diplomata é feito refém por 28 horas em favela do Rio   A favela ficará ocupada por tempo indeterminado, segundo o comandante da ação, coronel Pinheiro Neto, do Batalhão de Operações Especiais (Bope). Os quatro estrangeiros, que foram rendidos durante uma falsa blitz, conseguiram fugir no domingo, mas não permaneceram juntos.   Uma das linhas de investigação da polícia liga o crime à disputa por postos de trabalho na construção do complexo siderúrgico da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), em Santa Cruz, na zona oeste do Rio. A contratação de 120 chineses não qualificados para a obra da siderúrgica gerou polêmica e virou uma batalha judicial entre a empresa e o Ministério Público do Trabalho, que acusa a CSA de contratar chineses em situação ilegal no País. A empresa informou, por meio de nota, que os estrangeiros possuem vistos de trabalho temporário.   O titular da Delegacia de Atendimento ao Turista, delegado Fernando Veloso, não descarta a tese de os traficantes terem sido contratados pela máfia chinesa para algum tipo de retaliação contra os trabalhadores. "A motivação (para o crime) é o ponto mais sensível desta história. Há mais de uma linha de investigação. As hipóteses de roubo contra turista ou seqüestro estão descartadas", disse Veloso. O delegado afirmou que alguns criminosos já estão identificados.   Policiais federais ouvidos pelo Estado disseram acreditar que o seqüestro pode ser uma retaliação à política de segurança do governo. Eles acham que policiais insatisfeitos com a gestão do secretário José Mariano Beltrame podem estar querendo criar fatos - de repercussão internacional - para atingi-lo. O que chamou a atenção dos agentes e delegados federais é o uso de toucas ninjas para realizar a falsa blitz. Para eles, bandidos e traficantes não têm este tipo de preocupação e, por isso, policiais podem ter participado do crime.   Libertação   O delegado disse que os quatro estrangeiros "foram astutos" ao enganar os traficantes de uma das favelas mais violentas do Rio. O chineses disseram que o cativeiro era uma cisterna de três por quatro metros, fechada com tampa de concreto e onde havia comida e água para muito tempo. Eles conseguiram escapar fazendo uma pilha com os vasilhames de água, por onde subiram. Usando um cabo de vassoura, que estava dentro da cisterna, teriam conseguido remover a tampa de concreto e escaparam pelo mato.   A dupla encontrada nesta manhã estava nas proximidades do Complexo do Alemão, conjunto de favelas vizinho à Vila Cruzeiro. "Encontrei eles por volta de 7h54 em uma rua no bairro de Ramos. Eles estavam sujos, cheiravam mal e estavam nervosos. Escreveram CSA no papel e deduzi que eram eles", contou o taxista Valmir Vieira de Souza, de 43 anos, que levou os dois para a empresa.   A PM informou que ficará na Vila Cruzeiro por tempo indeterminado. Os agentes são comandados pelo coronel Pinheiro Neto, chefe do Batalhão de Operações Especiais (Bope). O homem que morreu na incursão da PM não havia sido identificado até esta noite. Os feridos são Antônio Rodrigues das Neves, de 57 anos, e Waldenir Xavier Neves, de 43. Ambos foram baleados no tórax e estão internados no Hospital Getúlio Vargas.

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