Marcos de Paula/AE
Marcos de Paula/AE

Após novo protesto e confronto no Rio, Cabral convoca reunião de emergência

Manifestação nessa quarta-feira, 17, nas imediações da casa do governador, no Leblon, teve depredação, quatro PMs feridos e um manifestante preso

O Estado de S. Paulo

18 Julho 2013 | 08h52

Após mais um protesto nas imediações de sua casa, no Leblon, zona sul do Rio, o governador Sérgio Cabral (PMDB) convocou para esta quinta-feira, 18, uma reunião de emergência no Palácio Guanabara, sede do governo. Estarão presentes o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, a chefe da Polícia Civil, Martha Rocha, o comandante da Polícia Militar, Coronel Erir da Costa Filho, e os secretários da Casa Civil, Regis Fichtner, e de Governo, Wilson Carlos Carvalho.

O Ato de quarta-feira, 17, teve quebra-quebra e terminou em confronto entre policiais militares e manifestantes. Quatro PMs ficaram feridos e um manifestante acabou preso com explosivos. Mais uma vez a polícia usou bombas de gás e balas de borracha para dispersar os manifestantes.

Agências bancárias, lojas e pelo menos uma banca de jornais foram depredadas - e barricadas foram montadas com lixo incendiado. O grupo gritava contra o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes e criticava o uso de verba pública na Jornada Mundial da Juventude (JMJ). Faltou luz em vias do bairro. Um boneco representando o governador foi incendiado.

Meia hora antes do início do conflito com a PM, outro grupo de 80 manifestantes havia atacado um prédio da TV Globo, na Rua Bartolomeu Mitre, onde funciona o departamento jurídico da emissora. Vidros foram quebrados e tinta branca acabou lançada na fachada.

Até o início da madrugada, a polícia tentava conter os manifestantes e impedir atos de vandalismo, mas a confusão continuava. O ato, que reuniu cerca de 800 pessoas, começou por volta das 17h30 e permaneceu pacífico até as 22h15 - foi o sexto desde o início das manifestações de rua, em junho. O trânsito na Avenida Delfim Moreira foi interditado às 18 horas.

Para evitar que os ativistas chegassem à porta do edifício onde mora Cabral, na Rua Aristides Espínola, o quarteirão entre as Avenidas Delfim Moreira e General San Martin foi cercado com grades e isolado por PMs. Um veículo blindado, o Caveirão, foi levado ao local, assim como um caminhão da Polícia Militar que lança jatos de água e veículos pertencentes ao Batalhão de Choque. Só moradores puderam entrar na área interditada, e todos foram escoltados por policiais até a porta de seus prédios.

Em vez de permanecerem parados na vizinhança do governador, como nos atos anteriores, os manifestantes saíram em caminhada pelas ruas do bairro. A PM não impediu que o grupo circulasse, mesmo interditando vias. Os manifestantes usavam cartazes e gritos de guerra para pedir o impeachment de Cabral e Paes.

Gás e perseguição. Cerca de meia hora depois ocorreu o primeiro confronto entre manifestantes e policiais, na esquina da Rua Aristides Espínola com a Avenida General San Martin. A PM reagiu com bombas de gás e tiros de balas de borracha, e partiu em perseguição aos manifestantes. A confusão se espalhou pelo bairro.

Enquanto fugiam da Polícia Militar, os ativistas incendiaram lixo, quebraram e saquearam lojas. A PM ainda lançou bombas de gás lacrimogêneo dentro de bares. "Estava todo mundo vendo a passeata, o bar estava cheio, e de repente jogaram bombas aqui dentro. Eu mesmo passei mal e várias pessoas precisaram correr para a rua", contou Manoel Rocha, de 62 anos, dono do Jobi, um dos bares mais tradicionais da cidade.

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