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Após onda de saques, PMs e bombeiros suspendem greve em Pernambuco

Angela Lacerda e Mônica Bernardes - Especial para O Estado

15 Maio 2014 | 20h 18

Policiais entraram em acordo com governo; Grande Recife teve saques, arrastões e assaltos

Atualizada às 23h30

RECIFE - Após três dias de pânico, bombeiros e policiais militares de Pernambuco decidiram encerrar a greve na noite desta quinta-feira, 15. Em assembleia, a categoria aceitou a proposta do governo de incorporar a gratificação por risco de vida ao salário. A remuneração passa de R$ 1,9 mil para R$ 2,8 mil por mês - os militares pediam até 50% de aumento. A Força Nacional de Segurança teve de agir no Grande Recife em meio à onda de saques, arrastões, assaltos e homicídios.

A violência se espalhou pela capital. A Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) informou que, das 19h desta quarta às 7h de quinta, sete homicídios foram registrados na região metropolitana, além de sete tentativas de assassinato - o número excede a média dos fins de semana, que é de no máximo seis. Foram detidas 234 pessoas, com 102 autuações em flagrante, de acordo com a Secretaria de Defesa Social.

O cenário de arrombamentos teve início na noite de anteontem em Abreu e Lima. Vândalos carregavam geladeiras, fogões, televisores e computadores pelas ruas. Pela manhã, o caos se expandiu. No bairro de Caetés, mercadinhos foram invadidos até por crianças.

A região metropolitana parou por causa de boatos. Comércio, escritórios, instituições públicas, universidades e escolas do Recife, de Olinda e da região metropolitana fecharam ontem. À tarde, já não havia movimento nas ruas.

Casos de violência eram relatados mesmo depois que os tanques do Exército começaram a ganhar as ruas. O advogado Rodrigo Ribas viveu momentos de terror ao deixar o escritório no centro, às 14h, para voltar para sua casa em Boa Viagem, na zona sul. Ele passou no meio de um saque. Um homem estava morto no chão e um carro da Polícia Civil se dirigia ao local pela contramão. "Me senti no meio de uma guerra", disse.

Um funcionário de uma agência bancária, do Shopping Guararapes, em Jaboatão dos Guararapes, assistiu a três arrastões, antes de o centro comercial fechar. "Vi assaltos à mão armada nas ruas", contou uma mulher que não quis se identificar.

Acordo. As negociações foram acompanhadas pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Uma das principais lideranças da mobilização, o soldado Joel Maurino, comemorou o acordo. "Conseguimos avançar bastante. Com a incorporação da gratificação, por exemplo, quando formos discutir reajuste salarial em janeiro de 2015, o porcentual será calculado em cima de R$ 2,8 mil", disse. O governo se comprometeu a voltar a negociar aumento em janeiro, passados os impedimentos causados pela Lei de Responsabilidade Fiscal e Lei Eleitoral.