Lc Moreira
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Após primeira derrota em 24 anos, Tasso decide deixar política

Senador, que tentava a reeleição pelo Ceará, critica Ciro e Cid Gomes e diz que trabalhará pela eleição de Serra

Carmen Pompeu ESPECIAL PARA O ESTADO FORTALEZA, O Estado de S.Paulo

05 Outubro 2010 | 00h00

Depois de ser derrotado nas urnas pela primeira vez em 24 anos, o senador Tasso Jereissati (PSDB), que tentava a reeleição, disse ontem em Fortaleza que não mais disputará cargo eletivo. "Vou cuidar dos meus netos. Levar uma vida tranquila", afirmou. Antes de largar a política, garantiu que seu último ato será fazer de tudo para que o tucano José Serra vença as eleições presidenciais. Tasso convocou a imprensa para uma coletiva em seu escritório no fim da tarde. Além de falar sobre seu futuro político, fez um balanço da campanha de primeiro turno no Ceará.

Voltou a condenar a postura de "vale-tudo" de seus adversários. E foi irônico quando questionado sobre o que achou das declarações do deputado Ciro Gomes, que disse sentir dó de Tasso. "Você acreditou nisso? Eu não. Não concordo com o tipo de política que a família Ferreira Gomes está fazendo no Ceará. Não é nem sombra daqueles jovens idealistas que eu levei para a prefeitura. Estão levando o Ceará a um retrocesso político", afirmou Tasso sobre os irmãos Cid e Ciro Gomes.

"As pessoas mudam com o tempo. O poder é encantador", continuou. Perguntado se Ciro teria mudado, respondeu: "Ele não é nem sombra daquele jovem idealista de 25 anos atrás. Nem sombra."

Serra. "Vou trabalhar pelo Serra", afirmou Tasso. De acordo com ele, no primeiro turno prevaleceu a força da popularidade do presidente Lula, que acabou levando a ministra Dilma Rousseff para o segundo turno. "Na verdade, quem teve votação expressiva aqui no Ceará foi o presidente Lula. A ministra Dilma não participou da eleição."

Segundo ele, agora no segundo turno é preciso mostrar candidato a candidato. "Acredito que a candidata Dilma, na medida em que as eleições forem chegando, a sua fraqueza do ponto de vista de campanha vai se demonstrando. Quando ela se descola do Lula, ela aparece como ela é. E ela não tem a menor condição de governo e nem psicológica", disse Tasso.

Tese. Ele afirmou não acreditar na tese defendida por Cid e Ciro Gomes de que o PT deveria se aproximar da ala tucana liderada pelo mineiro Aécio Neves, eleito senador. "O PT é o partido mais fisiologista que já teve. A antiga Arena era brincadeira na frente do PT de hoje. O governo é todo fatiado. Há casos e mais casos de escândalos. A base das eleições do governo tanto no Brasil como no Ceará é a cooptação", atacou. "A cooptação é o próprio fisiologismo. E o fisiologismo é o irmão próximo da corrupção."

Segundo ele, a política no Brasil foi "degradada" e "acanalhada" no governo petista. "Se perderam os valores. Se você não é amigo é inimigo a ser exterminado. É essa a filosofia. Isso está na entranha. Não adianta vir com discurso bonito. É da essência do próprio sistema", afirmou.

Esperando Marina

Para o tucano Tasso Jereissati, a senadora Marina Silva (PV) estará mais propensa a se aliar a José Serra na campanha presidencial por ter "horror a esse sistema que está aí"

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