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Após ser absolvido, brasileiro luta por indenização do governo francês

Carlos Mendes - Especial para O Estado

31 Março 2014 | 15h 57

O técnico em informática Carlos Campos Xerfan afirma que foi alvo de erro judicial e que, durante os oito meses em que ficou preso acusado de estupro, não foi ouvido pela Justiça sequer uma vez

BELÉM - Após ser absolvido no começo deste ano por um tribunal de júri da acusação de estupro, o técnico em informática brasileiro Carlos Campos Xerfan luta agora para ser indenizado pela Justiça da França pelo o que considera um erro judicial e de violação de imagem. Xerfan afirma que, durante os oito meses em que ficou preso não havia denúncia formal contra ele e a Justiça não o ouviu sequer uma vez.

O brasileiro apelou ao Tribunal de Bobigny para receber uma indenização de 3,5 milhões euros (cerca de R$ 11 milhões), mas a instância se declarou incompetente, no mês passado, para julgar o pedido do rapaz. Ele recebeu uma proposta de indenização de 11 mil euros, mas recusou.

"Estou arrasado. Já gastei mais de R$ 600 mil somente com advogados, mas nem a Justiça nem o governo da França se dignam a pagar pelo erro judicial que praticaram contra mim, embora o reconheçam", afirma Xerfan ao Estado. O brasileiro conta que já encaminhou carta à presidente Dilma Rousseff, mas não obteve resposta. O mesmo pedido foi formulado ao presidente da França, François Hollande e a resposta foi o silêncio.

O paraense também se queixa da postura do Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Segundo ele, o ministério "lavou as mãos". Em resposta ao pedido de ajuda, a oficial de chancelaria da ouvidoria consular do Ministério das Relações Exteriores, Isabela Alves de Oliveira, informou que o órgão é responsável pelo processamento de comentários, sugestões, elogios e críticas referentes à atividade consular das repartições brasileiras no exterior.

Para a chanceler, o caso relatado não é de sua competência. Ela sugeriu que Xerfan "contratasse um advogado", pois o Ministério "não pode interferir em processos judiciais no exterior". O paraense desabafa: "Isso é um tapa na cara de brasileiros que vivem em outro país e que não podem contar com a ajuda do ministério na hora em que seus direitos são violados".

História. No dia 28 de julho de 2001, Xerfan foi detido pela polícia francesa, no aeroporto de Roissy, em Paris, ao desembarcar vindo de Londres, onde passava férias. Levado à presença de uma escrivã do tribunal de Bobigny, foi lida contra ele uma acusação de agressão com características de estupro contra a norte-americana Elisabeth Knights, a quem o paraense conhecera no hall do aeroporto, antes da viagem para a Inglaterra.

"Tivemos um rápido envolvimento, nos beijamos e fomos para um hotel próximo, onde mantivemos relações sexuais consentidas. Em nenhum momento houve qualquer tipo de agressão". Antes de retornar aos Estados Unidos, Elisabeth chegou a desmentir o que havia dito à polícia, negando ter sido vítima de qualquer tipo de agressão, incluindo a de natureza sexual. Todos os documentos do caso podem ser consultados, em francês, no seguinte endereço: http://soutienpourlademissiondubatonnierdeparis.e-monsite.com/