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Após ser alvo de críticas, Campos pede 'bom senso' a grevistas

Ex-governador de Pernambuco havia divulgado em seu perfil oficial no Facebook foto com sua família pela manhã e foi criticado; à tarde o pré-candidato à Presidência divulgou nota sobre a greve

Isadora Peron e Ana Fernandes, O Estado de S. Paulo

15 Maio 2014 | 18h05

Atualizada às 00h14 de 16/05

RECIFE - Enquanto a greve dos policiais e bombeiros entrava no seu terceiro dia em Pernambuco, o ex-governador e presidenciável Eduardo Campos (PSB) divulgou foto sorridente ao lado da mulher Renata e do filho Miguel, de 4 meses, no Facebook. Intitulada "São Paulo lá vamos nós", a imagem foi retirada 15 minutos depois diante das críticas de usuários da rede social.

"Pernambuco pegando fogo e o senhor nem aí", foi um dos comentários. "Acabe com essa greve que é melhor para sua candidatura", disse outro.

Questionado sobre o assunto após cumprir agenda na capital paulista, Campos responsabilizou os assessores: "A assessoria mandou aquela foto para ser publicada nas redes, e ela mesmo, quando viu que não era o caso, tirou". Segundo o ex-governador, a foto tinha caráter pessoal e foi tirada com a intenção de ser enviada para os filhos.

Antes da entrevista, Campos divulgou nota relatando "os esforços que realizou nos seus dois mandatos para garantir a melhoria da segurança pública no Estado". A nota afirma que o programa Pacto pela Vida, uma das marcas da sua gestão, reduziu índices de violência por sete anos consecutivos.

Campos disse também que está em contato "permanente com o governador João Lyra" e afirmou que a hora "é de bom senso, de lutarmos juntos por melhores salários, sem, contudo, deixar a sociedade no medo e na insegurança".

Aos jornalistas, Campos repetiu a mensagem de preocupação. Mas, questionado sobre os motivos que levaram à situação, minimizou o problema. "Esse tipo de movimento já aconteceu em vários Estados", disse, citando a Bahia, governada pelo petista Jaques Wagner.

Em Pernambuco, as lideranças da greve também criticaram o ex-governador. "Esta crise foi criada no governo Campos", avaliou o soldado PM Joel Maurino. "Com o programa Pacto pela Vida, o governador ganhou prêmio internacional e vai se candidatar à Presidência, mas o Pacto não é tudo o que ele diz."

Campos afirmou que espera que o episódio não seja explorado por seus adversários, mas disse que é preciso ter em mente que há disputas dentro das próprias associações de PMs e que há, na corporação, candidatos às eleições.

Veja a íntegra da nota divulgada à tarde por Campos:

"Nota sobre a greve da PM Pernambuco:

O povo de Pernambuco sabe dos esforços que realizamos para garantir a melhoria da segurança pública no nosso estado. O Pacto pela Vida conseguiu reduzir os índices de violência por 7 anos consecutivos. Isso só foi possível graças a uma forte presença social do Estado em localidades de alto índice de violência, mas também com grandes investimentos na nossa polícia, tanto em equipamentos quanto nos homens e mulheres que compõem a corporação. Investimos em capacitação, nomeamos 8.935 militares (sendo 7.704 policiais e 1.231 bombeiros) concursados entre janeiro de 2007 e março de 2014 (no mesmo período, 9.273 militares foram promovidos) e implementamos um processo de recuperação da remuneração - acordo que está em vigor, que vem sendo cumprido à risca e que prevê um reajuste de 14,55% já no mês de junho próximo. Tenho mantido contato permanente com o governador João Lyra e acompanho o desenrolar das negociações. A hora agora é de bom senso, de lutarmos juntos por melhores salários, sem contudo deixar a sociedade pernambucana no medo e na insegurança. A melhor solução virá do diálogo e do respeito às leis. É o que todos queremos."

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