Arcebispo sai em defesa de padre

D. Odilo divulga nota e diz que Lancelotti é vítima, não réu; Suplicy pedirá apoio no Senado

O Estadao de S.Paulo

28 Outubro 2007 | 00h00

O arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer, o senador Eduardo Suplicy (PT) e o bispo responsável pela Região Episcopal de Belém, zona leste, d. Pedro Luiz Stringhini, saíram ontem em defesa do padre Júlio Lancellotti. Os três consideraram levianas as acusações feitas pelo ex-interno da Febem Anderson Batista e denunciaram a estratégia de transformar o padre de vítima em réu. ''''A gente confia na inocência dele. Conheço o padre Júlio há 30 anos, o seu trabalho. Ele sempre quis o bem das crianças e não molestá-las'''', disse Stringhini. ''''Confiamos na Justiça para resolver isso.'''' D. Odilo assinou um extenso comunicado oficial da Arquidiocese de São Paulo. ''''A arquidiocese manifesta satisfação pelo trabalho de investigação da polícia, que resultou na prisão de várias pessoas acusadas de atos de chantagem e extorsão contra o padre Júlio Lancellotti. Era um passo muito esperado e necessário ao prosseguimento das investigações'''', diz o arcebispo no texto. ''''Por outro lado, causam grande perplexidade as acusações levianas feitas contra o padre Júlio, que é bem conhecido, há muito tempo, e sempre esteve em evidência na cidade de São Paulo; seu trabalho social foi sempre devidamente monitorado por quem de direito. Com seu trabalho social em benefício de numerosas pessoas que vivem em condições de total exclusão social, e, muitas vezes, em situações de marginalidade, e com seu trabalho religioso, ele sempre buscou ajudar essas pessoas a recuperarem sua dignidade, para uma adequada reinserção social. Para isso, teve e tem incentivo e apoio da Igreja e também de grande parte da sociedade.'''' Antes de manifestar apoio irrestrito a Lancellotti, d. Odilo afirmou: ''''Foi o próprio padre Júlio quem apresentou denúncia à polícia de que estava sendo vítima de extorsão e, para isso, era chantageado, mediante a ameaça da acusação de pedofilia. Sobre isso foi recolhido farto material comprobatório. Lamentavelmente, de vítima, agora ele está sendo transformado em réu. Toda pessoa deve ser considerada inocente, até provas em contrário. Aos acusadores, cabe a responsabilidade de apresentar provas convincentes para suas acusações. E ninguém pode ser condenado, mesmo na opinião pública, antes do processo formal e sem ter tido a possibilidade ampla de defesa.'''' Suplicy disse achar natural a quebra do sigilo bancário do padre, anunciada ontem pela polícia, ''''para que esses episódios sejam apurados'''', e reforçou sua solidariedade ao sacerdote. ''''Tenho convicção de que o padre Júlio fez bem a muitas pessoas. Eu o conheço há pelo menos duas décadas e testemunhei pessoalmente o carinho dele pelas crianças que perderam seus pais por causa do vírus da aids. Ele agia como o verdadeiro pai delas.'''' Suplicy disse que vai preparar, a pedido da Comissão de Direitos Humanos do Senado, um requerimento de apoio ao padre para ser aprovado em plenário. SÉRGIO DURAN E RODRIGO PEREIRA

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