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Artesão confessa que amarrou e queimou crianças no DF por dívida de R$ 500

Marília Assunção - Especial para O Estado

13 Maio 2014 | 15h 37

Casal de irmãos, de 9 e 13 anos, morreu depois que Rômulo Sebastião Nascimento de Souza ateou fogo em colchões na casa das vítimas

GOIÂNIA - Um crime envolvendo a morte de duas crianças chocou a população de Ceilândia, cidade satélite do Distrito Federal. O artesão Rômulo Sebastião Nascimento de Sousa, de 21 anos, confessou que amarrou um casal de irmãos, de 13 e 9 anos, e depois colocou fogo na casa onde as vítimas estavam nesta segunda-feira, 12. Na saída, o suspeito passou pela mãe das crianças na rua, que, sem saber de nada, cumprimentou o artesão.

Preso, Souza disse que o motivo seria uma dívida com peças de artesanato adquiridas no fim de semana pelo irmão mais velho das crianças, Marcos Paulo Silvo Santos. O artesão disse que a dívida era no valor de R$ 500, enquanto o irmão afirmou ser de R$ 140, dos quais já havia saldado R$ 100 na segunda-feira.

O delegado titular da 15ª DP (Ceilândia Sul), Johnson Kenedy Monteiro, disse nesta terça-feira, 13, ao Estado que Souza pode ter matado as crianças por conta do irrisório valor entre R$ 40 e R$ 60.

O suspeito foi preso pouco tempo depois, na casa onde vivia com uma namorada, em Ceilândia. Conforme o relato do delegado, o artesão contou detalhes de como amarrou a menina e o menino, colocando fogo depois no quarto onde a garota estava, sem demonstrar arrependimento durante o depoimento.

A violência teria sido uma reação ao fato de ter ido receber parte do dinheiro de e discordado, em silêncio, do montante quitado da dívida: R$ 100. Depois do acerto, o irmão e o suspeito deixaram a casa, mas o artesão retornou com a desculpa de que tinha esquecido alguma coisa e o menino o deixou entrar.

A intenção, disse no depoimento, era levar, como compensação para saldar o resto da dívida, um notebook que viu no interior da residência, mas o casal de crianças começou a gritar e teria tentado tomar o equipamento dele. Na investigação, a Polícia Civil apurou que, na verdade, o artesão roubou vários outros equipamentos da casa.

Violência. No depoimento, ele confessou que levou a menina até um dos quartos e amarrou as mãos dela usando o fio de um carregador de celular. O menino, levado para o outro quarto, foi amarrado com tiras arrancadas de um lençol. Ao voltar para a sala, onde tinha deixado o notebook, Souza viu que a menina tinha se livrado do fio. O artesão segurou novamente a garota e voltou ao mesmo quarto, onde amarrou as mãos dela de novo, desta vez unindo os fios junto ao pescoço. Em seguida, ele decidiu colocar fogo no colchão. O homem ainda fechou a porta do quarto pelo lado de fora, utilizando uma cadeira para impedir que a vítima conseguisse sair, caso se livrasse mais uma vez das amarras.

No depoimento ele detalhou que ainda foi ao outro quarto, onde estava o garoto de 9 anos, e também ateou fogo, repetindo o gesto de escorar a porta com uma cadeira. Depois usou sofás para prender as saídas da sala, onde colocou fogo usando álcool. Antes, recolheu o computador de mão, levando também em uma mala, um tablet, três celulares e uma máquina fotográfica.

Ao sair da residência, o suspeito teria passado pela mãe das crianças, que cumprimentou o conhecido do irmão mais velho. Ele não teria respondido ao cumprimento, abaixando a cabeça. Por volta das 16h30, o Corpo de Bombeiros encontrou os corpos das crianças, disse o delegado.

As investigações levaram a Polícia Civil rapidamente ao suspeito que foi detido às 19 horas desta segunda. Preso na carceragem da Polícia Civil do DF, de onde deverá seguir para o presídio da Papuda, Souza responderá por duplo latrocínio. A pena pode chegar a 60 anos de prisão.

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