Célio Luiz Barbosa /Fazenda da Paz
Célio Luiz Barbosa /Fazenda da Paz

Artesão que foi dado como morto reaparece vivo em missa

Geraldo Humberto Carvalho fazia tratamento contra alcoolismo quando desapareceu; família chegou a enterrar corpo reconhecido como sendo dele

Luciano Coelho, Especial para O Estado

05 Julho 2017 | 14h20

TERESINA - A família do artesão Geraldo Humberto de Carvalho, de 55 anos, iniciou uma luta judicial para provar que ele está vivo. Três meses após sua família velar e enterrar um corpo reconhecido como sendo dele, Carvalho reapareceu em uma missa em ação de graças pelo aniversário de 23 anos da comunidade terapêutica Fazenda da Paz, em Teresina, no Piauí, de onde ele foi interno. 

Carvalho fazia tratamento contra alcoolismo na clínica quando desapareceu. Chegou a viver como morador de rua durante três meses mas, sem dar notícias, foi dado pela família como morto. Parentes de Carvalho reconheceram um corpo no IML como sendo o do artesão, que foi velado e sepultado.

Após a reaparição, o diretor da Fundação Fazenda da Paz, Célio Luiz Barbosa, disse que Carvalho foi acolhido novamente na instituição e está entrando no terceiro mês de tratamento contra a dependência química, que deve durar cerca de um ano. Segundo ele, a família está muito abalada e não quer mais se expor sobre o caso.

A Fazenda da Paz disponibilizou assessoria jurídica para "ressuscitar" Carvalho juridicamente, inclusive em parceria com a Secretaria de Segurança Pública e da Secretaria de Assistência Social. 

"Ele não está apenas morto. Está morto e enterrado. Tememos até que haja problemas pelo uso de documentos dele, porque pode parecer que está havendo uso de documentos falsos. Atualmente, ele é um 'morto vivo'. Agora tem que provar que está vivo. E nascer de novo. Estamos correndo atrás e adotando os procedimentos jurídicos para trazer ele de volta à vida, juridicamente", explicou Célio Luiz Barbosa.

O diretor disse ainda que Geraldo não tem nenhum problema físico ou mental e foi acolhido pela Fazenda da Paz por ser um dependente químico. Segundo Barbosa, Carvalho é um excelente artesão em arte sacra em madeira e poderia viver em situação confortável, se não fosse a dependência do álcool, que o fez perder tudo e virar morador de rua. 

O artesão foi resgatado pelo Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP), debilitado, mas sem apresentar nenhum problema físico ou mental.

"Agora ele tem que recuperar os documentos. Ele não, a família, porque (juridicamente) ele não existe mais. Tem que fazer exames e todos os trâmites legais. O artesão reapareceu no dia 26 de junho, durante uma missa pelo aniversário de 23 anos da Fazenda da Paz, na catedral de Nossa Senhora das Dores, quando foi reconhecido por uma senhora. Ela tinha ido ao velório e ao sepultamento, é amiga da família", disse o diretor da Fazenda da Paz.

O homem enterrado como sendo Carvalho ainda não foi identificado. Não há previsão de exumação do corpo para fazer outro tipo de identificação. A família tinha reconhecido o corpo por ter características físicas semelhantes .

Mais conteúdo sobre:
Assistência Social IML Teresina

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.