Assaltantes fazem família refém por quatro horas no Rio

Uma família ficou, na madrugada desta quarta-feira, quatro horas sob a mira da arma de três bandidos num apartamento do Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste do Rio. Foi o que relatou na delegacia da Barra da Tijuca o empresário O.G., de 51 anos. Ele foi acordado por volta de 1 hora quando o genro entrou no quarto rendido pelos assaltantes, que anunciaram o assalto e também fizeram reféns sua mulher e suas duas filhas. "Pensei que era uma brincadeira ou que eu estava sonhando. Mas eles logo me deram coronhadas. Eu disse: levem a casa inteira, mas não toquem na minha família. Eles só gritavam dizendo que queriam ouro e dólares senão iriam me matar. Eu não tinha nada disso em casa." O apartamento do empresário, no segundo andar de um edifício da Rua Taciel Cileno, foi invadido pelos três assaltantes, que renderam o genro dele na varanda. Eles entraram pelo prédio vizinho, que está em construção. Um dos bandidos estava armado com uma pistola e os outros dois, depois de invadir a residência, buscaram facas na cozinha para ameaçar as vítimas. De acordo com o empresário, os bandidos amarraram e amordaçaram toda a família. Sua maior preocupação foi com as filhas de 18 e de 3 anos, principais alvos das ameaças dos bandidos, mas que não foram feridas. "Eles disseram que iriam cortar os dedos da menina se eu não mostrasse onde estava o ouro. Eu pedi pelo amor de Deus para não fazerem aquilo. Depois levaram minha filha mais velha para a sala e disseram que iriam estuprá-la. Eu estava amarrado, fiquei sem recursos para ajudar minha família", contou o empresário, que acredita que pelo menos dois dos ladrões estavam drogados. Hipertenso, ele disse que os assaltantes apertaram tão forte a mordaça que ele mal podia respirar. "Minha boca começou a ficar seca, estava vendo a hora que teria um enfarte. Eles me ameaçavam o tempo todo com a arma, encostavam o cano do revólver. Achei que iria morrer". Depois de roubar dinheiro, jóias, celulares e aparelhos eletrônicos, os bandidos pularam para o apartamento vizinho, rompendo a rede de proteção da varanda, e renderam outras cinco pessoas. No entanto, assustaram-se com o toque de despertadores, que os fizeram perceber que amanhecia. Por volta das 5h30, eles deixaram o prédio passando novamente pela obra com os objetos roubados. Na rua, fugiram com o automóvel Palio da primeira família assaltada. O veículo foi abandonado na Avenida Armando Lombardi, na Barra. As vítimas do assalto e vizinhos acreditam que funcionários da construção foram coniventes com os assaltantes. Cerca de dez operários dormem no local, mas todos dizem não ter visto ou ouvido nada. O delegado Rodrigo Oliveira, titular da delegacia da Barra (16º DP), afirmou que todos os trabalhadores da obra serão ouvidos. Ele disse que a descrição dos bandidos pelas vítimas é próxima da de um grupo de assaltantes da Rocinha que já cometeu outros crimes na região e tem passagem pela polícia. No entanto, o reconhecimento é difícil porque as vítimas, amedrontadas, foram orientadas a não olhar para o rosto dos ladrões, que usavam bonés enterrados na cabeça. Segundo os moradores, é a primeira vez que o prédio sofreu um assalto. A Barra e o Recreio viveram no ano passado uma série de assaltos a casas e apartamentos. Parte deles foram comandados pelo assaltante Pedro Dom, jovem de classe média que acabou morto pela polícia em setembro.

Agencia Estado,

08 Fevereiro 2006 | 18h36

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