Assassinos de padre vão responder por latrocínio em Maceió

Para delegado que preside o inquérito, intenção dos jovens era roubar religioso, morto a facadas e pancadas

Ricardo Rodrigues, O Estado de S. Paulo

09 Novembro 2009 | 15h57

O delegado Robervaldo Davino, titular do 4º Distrito Policial, disse nesta segunda-feira, 9, que os dois acusados de matar o padre Hidalberto Henrique Guimarães, de 48 anos, serão indiciados por crime de latrocínio - roubo seguido de morte. Para o delegado, a intenção dos assassinos, que deram 18 facadas e vários golpes de cacete na cabeça do religioso, era matar para roubar. Embora, os acusados só tenham levado da casa do padre um par de tênis e um aparelho de DVD - este último recuperado pela polícia, na Feira do Rato, no bairro da Ponta Grossa, periferia de Maceió.

 

Os dois acusados de assassinar o padre Guimarães, que era pároco da igreja Nossa Senhora das Graças, em Murici, zona da mata de Alagoas, foram presos no domingo, por agentes da Divisão Especial de Investigação e Capturas (Deic), da Polícia Civil. O corpo do religioso foi encontrado morto na noite de sábado dentro de sua casa, passou o domingo inteiro sendo velado na cidade de Murici e foi sepultado hoje pela manhã, no cemitério São José, no bairro do Trapiche da Barra, em Maceió. No enterro, vários religiosos deram declarações em defesa da vítima, cuja honra também estaria sendo "assassinada."

 

De acordo com o delegado Davino, independentemente do comportamento do padre, como a vítima foi roubada e assassinada dentro de casa, a polícia está diante de um caso de latrocínio. "Os acusados - Rafael Timóteo da Silva, 19 anos, e o adolescente J.A.C.S, de 16 anos, confessaram o crime e revelaram como tudo teria acontecido. Na hora da prisão, eles estavam numa festa, no bairro da Ponta Grossa, onde contavam abertamente que tinham matado um homossexual no dia anterior", relatou o delegado, durante entrevista coletiva, na sede da Polícia Civil de Alagoas, no bairro de Jacarecica.

 

Em depoimento à polícia e na entrevista à imprensa, Rafael contou que Guimarães o convidou para tomar cerveja e ofereceu R$ 15 por um programa. O acusado disse que chegou a praticar sexo oral com o religioso, mas quando se negou a praticar sexo anal foi ameaçado de morte com uma faca. Rafael mostrou um ferimento na mão, dizendo que teria sido cortado quando estava tomando a faca da mão do padre. Ele disse que desarmou a vítima e aplicou três facadas no religioso, dentro do quarto.

 

Na polícia, o J.A.C.S adolescente disse que bebera demais e que estava dormindo quando acordou com a confusão, entre seu amigo e o padre. Foi quando ele pegou um pedaço de pau e aplicou vários golpes na cabeça do religioso. O menor confessou também ter dado algumas estocadas de faca na vítima, como acusara Rafael.

 

A perícia do Instituto de Criminalística constatou que o padre Guimarães foi morto com 18 facadas: duas no pescoço e uma no coração. Rafael e o adolescente disseram que não sabia que a vítima era padre. "Ele disse a gente que era professor de telecomunicações", afirmou Rafael, contando que estava em um bar, perto do SESC, no bairro do Poço, quando foi abordado pelo padre.

 

Os acusados contaram ainda que Guimarães foi quem os chamou para levá-los à sua casa, que fica nas proximidades do Aeroclube de Maceió, no Tabuleiro do Martins, na periferia da cidade. No caminho, por volta das 2h30 da madrugada de sábado, a vítima teria parado o carro, um Fiat Mille, no supermercado Extra, na Gruta de Lourdes, e comprado cigarros, salgadinhos, petiscos e cervejas para beber, em sua residência. Os acusados disseram ainda que foram à casa da vítima para "farrar", mas quando chegaram lá mudaram de planos, diante do comportamento do padre.

 

Para o delegado Robervaldo Davino, apesar da alegação dos acusados, o importante era a intenção dos jovens de roubar a vítima. Por isso, vai enquadrar os acusados no crime de latrocínio, cuja pena varia de 20 a 30 anos de prisão, de acordo com o Código Penal Brasileiro.

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