Até pequenos traficantes já buscam armamentos

Criminosos que têm fuzis são considerados peças importantes

Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

18 Fevereiro 2018 | 02h00

A briga entre facções rivais no País levou até os pequenos traficantes de droga a se armarem em São Paulo. Em um mês, policiais do Departamento Estadual de Prevenção e Repressão a Narcóticos (Denarc) foram recebidos a bala em dois pontos de venda de drogas em São Paulo – um na zona sul e outro na zona norte. Os confrontos deixaram um acusado morto e outro ferido. “Isso não acontecia. O pequeno traficante não portava arma de fogo”, disse o diretor do Denarc, delegado Ruy Ferraz Fontes.

Com um dos acusados, os investigadores do departamento encontraram uma submetralhadora Beretta, calibre 9 milímetros. O tiroteio aconteceu no dia 6, na Rua Cristóvão Pereira, na Favela do Buraco Quente, no Campo Belo, zona sul. De acordo com os investigadores, um suspeito correu na direção de um barraco para fugir depois de ter sido avistado pelos policiais. Dali, o acusado Paulo Eduardo Felipe Luiz, de 18 anos, teria disparado vários tiros. Ele estaria com 53 porções de maconha, 28 de cocaína e 5 pedras de crack.

Uma semana antes, policiais do Denarc foram recebidos a tiros por dois acusados de manter um pequeno ponto de venda de drogas no Jaçanã, zona norte. “Um dos acusados estava com uma pistola do Exército argentino”, afirmou o delegado. Os dois foram presos – um deles ficou baleado. A dupla tinha apenas 60 gramas de drogas. “O confronto entre Primeiro Comando da Capital, o Comando Vermelho e a Família do Norte fez com que até pequenos traficantes se armassem com receio de que rivais tentem tomar suas biqueiras”, contou Fontes.

De acordo com o delegado Ítalo Zaccaro Neto, do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), outro fator que tem provocado a proliferação de fuzis no Estado é o fato de as quadrilhas contratarem bandidos de acordo com as necessidades. Criminosos que têm fuzis são considerados peças importantes. E como muitos dos novos traficantes eram antigos assaltantes, eles passam a alugar armas e carros para grandes roubos, recebendo parte do que foi obtido. Esse seria o caso das quadrilhas especializadas em roubos de caixas eletrônicos e carros-fortes.

Rota

Para fazer frente a esses bandidos, há dois anos as Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) da Polícia Militar adotou como armamento padrão de suas equipes dois tipos de fuzis – um de calibre 5,56 mm e outro de calibre 7,62 mm. No ano passado, foi a vez de esse tipo de armamento chegar a todas as unidades da PM no interior do Estado. 

Mais conteúdo sobre:
Denarc

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.