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Ativistas do Estelita acampam na porta da prefeitura do Recife

Manifestantes querem negociar com prefeito cancelamento de projeto imobiliário milionário em área de antigo cais

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Angela Lacerda,
O Estado de S. Paulo

30 Junho 2014 | 14h09

RECIFE - Depois de 40 dias acampados no Cais José Estelita, o movimento #OcupeEstelita estendeu a ocupação na manhã desta segunda-feira, 30, à sede da prefeitura do Recife. Seis barracas foram armadas em uma das três entradas do prédio, com a participação de cerca de 50 ativistas. A disposição é de se manter no local por tempo indeterminado, até que o prefeito Geraldo Júlio (PSB) garanta o cancelamento do protocolo inicial do Projeto Novo Recife, que prevê a construção de 12 torres de até 40 andares em uma área nobre e histórica da cidade, às margens da bacia do Pina, no bairro de São José.
 
"Só desocupamos com a garantia que o Projeto não sai mais", afirmou Leonardo Cysneiros, um dos integrantes do movimento, ao observar que a "trégua" dada ao prefeito foi encerrada. Na avaliação do movimento, Geraldo Júlio não tem sido um mediador confiável das negociações entre os ativistas e o consórcio de construtoras responsável pelo projeto.

Na manhã desta segunda-feira, representantes de entidades da sociedade civil - Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), universidades Federal (UFPE) e Católica de Pernambuco (Unicap) - foram convidadas para uma reunião sem a presença do #Ocupe. Para eles, o movimento deveria estar presente.
 
A prefeitura tentou negociar a integração no encontro sob a condição de desocupação do local. A proposta não foi aceita. Neste momento, os manifestantes aguardam decisão se eles serão recebidos pelo prefeito mesmo permanecendo na área. Para Cysneiros, o movimento aceita que o prefeito se mantenha na mediação desde que tenha o Ministério Público como fiador.
 
Alvo de questionamento judicial, o projeto Novo Recife significa um investimento de R$ 800 milhões e é, na avaliação do movimento, referência de projeto excludente e elitista. Além das torres, o projeto prevê estacionamento para cinco mil veículos e muro de cinco metros de altura, numa área de 101 mil metros quadrados.
 
Composto por Moura Dubeux, Queiroz Galvão, Ara Empreendimentos e GL Empreendimentos, o consórcio adquiriu o terreno, que estava abandonado e pertencia ao espólio da Rede Ferroviária Federal, em um leilão realizado em 2008, por R$ 55 milhões.

O projeto é questionado pelo Ministério Público Federal, pelo Ministério Público do Estado de Pernambuco (MPPE) e também por ações populares, em vários níveis: da validade do leilão à ausência de Estudo de Impacto Veicular (EIV); no estudo de impacto ambiental e falta de licenças do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
 
O apoio ao #OcupeEstelita se estende, via redes sociais, nos âmbitos nacional e internacional, por ser entendido como uma semente de um movimento maior pela construção de cidades voltadas para seus moradores e não submetida aos interesses de construtoras e empreiteiras.

Acampados na área do projeto desde a noite do dia 21 de maio, os ativistas foram expulsos, em uma ação de reintegração de posse, com uso da violência, na manhã do último dia 17. Desde então, mantêm-se acampados no entorno do terreno.